O fotógrafo moçambicano Mauro Pinto, selecionado para a Bienal de Veneza, em 2018, e vencedor do prémio BESPhoto 2012, inaugura em Lisboa, no próximo sábado, uma exposição dedicada à série “Blackmoney”, sobre a vida nas minas do seu país.

A exposição abre ao público na Galeria 111, onde vai estar patente até 9 de novembro.

“Na obra de Mauro Pinto (Maputo, 1974) somos chamados a um encontro com o espaço social e com as condições de vida, e existenciais, de uma sociedade que se encontra em permanente interrogação”, lê-se na apresentação da mostra. 

“Enquanto artista que trabalha a imagem fotográfica, o posicionamento político [de Mauro Pinto] situa-se numa perspetiva que se inscreve numa abordagem antropológica de uma das muitas formas como poderemos observar a humanidade”, reforça o ensaio do curador João Silvério, sobre “Blackmoney”. 

Imagens desta série fizeram parte do projeto “The Past, The Present and The In Between”, que o pavilhão de Moçambique levou à Bienal de Arte de Veneza, em 2018, como reflexão do passado do país, e do impacto desse passado na atual sociedade moçambicana.

As imagens, a preto e branco, mostram a vida nas minas, as condições de trabalho, prendem-se em pormenores decisivos, as mãos, os olhares.

Em 2012, Mauro Pinto venceu a 8.ª edição do antigo concurso BESPhoto, com um projeto fotográfico realizado no Bairro da Mafalala, em Maputo. 

Na altura, o júri internacional do prémio destacou “a entrega do artista à realidade das pessoas que habitam os espaços”, transmitindo, em simultâneo, “uma perspetiva histórica e sociológica da realidade contemporânea moçambicana”. 

Mauro Pinto vive e trabalha em Moçambique. No final dos anos de 1990 fez um curso de fotografia pela Monitor Internacional School, que acompanhou com um estágio com o fotógrafo José Machado. 

Das exposições individuais destacam-se as que levou ao Palácio Cadaval, em Évora, e ao Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Moçambique. 

Expôs igualmente em mostras coletivas na Galeria 111, em Lisboa e Porto, e na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa e Paris.

A Galeria 111, que acolhe “Blackmoney”, encontra-se agora na rua Dr. João Soares, ao Campo Grande, em Lisboa, e está aberta de terça-feira a sábado, das 10:00 às 19:00. Encerra aos domingos, segundas-feiras e feriados.

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