Não, não vamos falar de um clube de futebol. Cláudio FC é o nome artístico de Cláudio Feliciano, um rapper angolano a viver em Santiago de Cuba, que se divide entre a música e os estudos em Medicina, e que tens de “manter debaixo de olho”.

O artista nasceu em Luanda e descreve-se como um rapper sonhador “que faz o seu trabalho com força de vontade e ímpeto”. O seu objetivo maior é dar-se a ouvir ao mundo e garante que está a lutar por isso.

Há alguns anos, ainda em Angola, a primeira música gravada foi apenas uma brincadeira e surgiu depois de uma conversa com o seu irmão mais velho. Juntos, partilharam o mic e foi esse o ponto de partida da sua corrida na música.

“Na música eu meto as preocupações, felicidades e trato de afogar determinadas mágoas, passar a minha realidade, , o que eu vivo ou o que vivem os meus que de forma indireta também vivo”, explica. E que não se pense que os estudos ficam esquecidos quando se fecha no “aquário”. Ambas as ocupações andam de “mãos dadas”. A relevância da sua carreira musical não se sobrepõe à da medicina e por isso tenta manter o mesmo foco nos estudos.

Atualmente, Cláudio faz parte do Samura Music Gang e, além dos seus colegas de estrada, o rapper quer vir a colaborar com Halloween – que já se reformou da música -, NGA e Dji Tafinha, os seus ídolos.

Na sua discografia já se contam várias músicas soltas lançadas a solo e em grupo e uma mixtape, Impetüs. O mais recente trabalho é a música “Te Vi Chorar” que conta com videoclipe disponível no YouTube.

Sobre “Te Vi Chorar”, FC disse que a música foi eita especialmente para a sua mãe, com o objetivo de enaltecer o seu trabalho árduo. Para si, o single tem um forte significado e é “dedicada a toda as mães e àqueles que estão longe das suas”. A composição e produção da faixa, bem como de todos os seus trabalhos anteriores, são da autoria de DJ Chago e o videoclipe foi feito pela produtora cubana La Terra Cliente.

Para este ano, o rapper diz que várias músicas estão a ser trabalhadas, inclusive um EP, e que tudo está a ser trabalhado dentro dos trâmites permitidos face à situação epidemiológica, que dificulta a maior parte dos objetivos traçados.

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Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".