Roselyn Silva, jovem e empreendedora, veio diretamente de São Tomé para nos trazer o que de melhor sabe fazer com o engenho das suas mãos, o estilismo, com a particularidade do uso da capulana, o tradicional pano africano.

Além dessa vertente, a estilista tem-se dedicado a diferentes oportunidades profissionais tendo, inclusive, abraçado o papel de apresentadora de televisão mas, hoje, o que nos leva a destacar o seu nome é uma das suas mais recentes colaborações publicitárias. Foi escolhida para ser uma das representantes da Corpos Danone.

Estivemos à conversa com a empreendedora, que nos contou na primeira pessoa como está a ser a experiência e como tudo se deu para ter sido o rosto escolhido.

Cara da Corpos Danone, muitos parabéns Roselyn.

Fizeste algum esforço em particular para conseguires esta parceria ou foste completamente apanhada de surpresa?

Bem, quero acreditar que este convite deve-se ao meu mérito e por todo o trabalho que tenho desempenhado na moda mas, não posso negar que os tempos que estamos a viver influenciam muito as empresas a apostarem na diversidade.

O que te fez aceitar o convite e o que mais gostaste na campanha?

É sempre muito positivo vermos mulheres de diferentes nacionalidades, povos e culturas em campanhas de marcas tão importantes como a Danone. A campanha tem como objetivo mostrar mulheres reais, bem sucedidas nas suas áreas profissionais e também mulheres ligadas a causas sociais e que fazem a diferença e contribuem para um mundo melhor. E eu enquadro-me neste perfil, sendo que, também acredito que tenha contribuído para a mudança de mentalidades e para o derrube de estereótipos.

Uma curiosidade, a Danone exporta o seu produto para São Tomé?

A Danone exporta para vários países e África é um grande consumidor dos produtos europeus.

Onde ou que valores se cruzam entre a marca Roselyn Silva e a Danone?

Os valores que se cruzam as nossas marcas são vários mas, um dos principais é a valorização da mulher e das suas competências. 

Há muito que a mulher deixou de ser apenas um símbolo de sensualidade, é também uma “changemaker”, uma agente de mudança social. E tanto a Danone como a Roselyn Silva estão atentos a essa mudança.

Não deixa de chamar a atenção o facto de ser rara a presença de um rosto negro neste tipo de campanhas em Portugal, sentes que estás a fazer parte de uma mudança de rumo neste sentido?

Sim, claramente e tive a oportunidade de dizer isso à Danone e dar-lhes os parabéns por terem tomado essa decisão. Não por ser eu particularmente mas por ser uma mulher negra numa campanha onde maioritariamente são caucasianas. Não é a primeira vez que o fazem mas o facto de estarem a repetir, é um bom sinal de mudança.

Consegues conciliar a tua rotina profissional com um estilo de vida saudável?

Tento conciliar mas confesso que não é fácil. Ainda sou uma mulher que precisa dar 200% no mundo profissional, estar entre os melhores não é fácil mas manter-nos lá é ainda mais difícil. Por isso a minha rotina exige muito de mim e por vezes descuido-me mas, sou uma pessoa responsável e tento cuidar de mim e manter-me saudável. Nota-se?!

Vemos a apresentação publicitária e percebemos o quão importante é para ti a responsabilidade social. 

Sim é extremamente importante a parte social. É um princípio meu enquanto pessoa e também uma das principais políticas da minha empresa. A parte social deveria ser um princípio de todos, darmos sem esperar nada em troca, ajudar o próximo, partilhar, dar oportunidades e, acima de tudo, transformar vidas. Acho que se todos pensassem assim, o mundo seria melhor.

A doação que fazes dos teus tecidos é um projeto recente, como surgiu a ideia?

Na verdade, a doação de tecidos sempre aconteceu desde que comecei o meu projeto de moda. As sobras de tecidos e as grandes quantidades de desperdícios que tinha no atelier obrigaram-me a pensar em soluções, então comecei a doar a quem quisesse. No entanto, surgiu a oportunidade de doar esses tecidos a instituições que aproveitavam os retalhos para fazer acessórios e vender, e dessa forma poderiam angariar mais receitas. Percebi que também era uma forma de ajudar. E com isto surgiu também a oportunidade de ensinar esses jovens das instituições a trabalhar com os tecidos africanos. Penso que é um ganho para todos, para a instituição, para os jovens e para mim que fico de coração cheio.

Como tem sido “levar o barco” em tempos tão atípicos como os que vivemos agora?

A palavra de ordem é reinventar. É assim que tenho “levado o barco” em tempos de pandemia. Isto é novo para todos, sejam pobres ou ricos, verdes ou amarelos, esta realidade apanhou-nos a todos por isso a melhor forma de continuarmos com as nossas vidas e projectos é reinventar e encontrar novos caminhos. A marca RS começou a apostar mais na venda online e nas pequenas coleções a preços acessíveis.

E, pegando também nos tempos que vivemos, sentes que se a temática do racismo não estivesse tanto na ordem do dia, terias sido na mesma a escolha da Danone?

Bem, concordo que a temática do racismo é um grande impulsionador mas não vejo as coisas dessa maneira. Sou uma designer de moda reconhecida na minha área, atualmente sou uma referência na moda africana e para São Tomé e Príncipe e tenho contribuído positivamente para o desenvolvimento de jovens, por isso acredito que estes factores foram decisivos na hora de escolherem quem seria a cara da nova campanha. Não basta só ser, é preciso merecer.

Consideras que este seja um alcance pessoal ou coletivo?

Considero ambos. Pessoal porque certamente que esta campanha vai projetar-me para outras áreas em termos de imagem e coletivo porque estamos perante um caso de representatividade que é cada vez mais importante. Querendo ou não, estamos a fazer história e isso não se pode negar. E eu fico muito felizmente fazer parte dessa história.

Há uns anos, quando toda esta aventura começou com a tua participação no “Shark Tank”, acreditavas que hoje estarias a ser cara de uma marca importante como a Danone?

Não, mesmo! A minha trajetória tem sido uma bênção e uma grande surpresa, não só para quem me acompanha mas principalmente para mim. Sempre sonhei em ser estilista e ver os tecidos africanos valorizados no mercado de luxo. E consegui. Mas mais do que isobárica tem sido uma verdadeira surpresa e muito agradável.

A moda tem-me aberto várias portas, na área da comunicação quando apresentei um programa na SIC e agora com a Danone. Mas, acredito que tudo isto também é fruto de muito trabalho, determinação e foco. Podia ter desistido várias vezes mas sempre acreditei em mim e no meu sonho. Mas mais do que isso, sempre tive fé.

O teu percurso tem sido pautado por superações, desafios e várias conquistas. Já vimos o auge de concretizações da marca Roselyn Silva ou ainda podemos esperar surpresas dentro e fora da moda?

Posso dizer que já tive alguns auges ao longo deste percurso, começando pelo “Shark Tank”, e quando vesti a Leonor Poeiras com uma majestosa saia africana para os Globos de Ouro e no dia em que fui palestrante na Aula Magna para mais de mil pessoas, juntamente com outros grandes nomes. 

Enfim, podia dizer que já estou satisfeita mas ainda não. Tenho sonhos que quero concretizar dentro e fora da moda. Ver a marca RS em vários países e no mercados de luxo.

Se tivesses que dar algum conselho a alguém que projeta o seu futuro no mundo da moda, do design, o que lhe dirias?

O primeiro conselho que dou a quem quer entrar neste mundo louco da moda é: sonha, planeia, acredita e rodeia-te daqueles que te querem bem e que te podem ajudar a crescer. Esta última parte é fundamental. E por último, nunca te esqueças que não estás só, seja lá qual for a tua crença, lembra-te que Deus está sempre contigo e Ele é o teu melhor amigo.

Para conhecer o trabalho de Roselyn Silva, podes aceder ao site da sua marca, bem como dirigir-te ao respeltivo atelier em Lisboa, no número 12 B da Rua Serpa Pinto.

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