A Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM) está a estudar novos modelos para realizar concertos ao vivo em Cabo Verde, adaptando-se ao novo contexto da covid-19, informou a presidente desta entidade de gestão colectiva de artistas.

Segundo Solange Cesarovna, é necessário ultrapassar esta fase de paralisação do sector da cultura criando novos modelos que se adaptem ao novo contexto da covid-19, isto porque esta doença chegou para ter uma duração “muito maior” do que no início era expectável.

A SCM, informou, está a estudar não só internacionalmente os projetos que podem fazer sentido em Cabo Verde, como também está a realizar um questionário para conhecer a opinião dos membros sobre os modelos que podem se adaptar à realidade e ao contexto do país.

“Estamos a fazer um questionário perguntando de ponto de vista individual de cada membro qual seria as opções que nós poderíamos ter para voltarmos aos palcos com alguma criatividade e com alguma gestão inovadora de como fazer os concertos, como fazer a música voltar a funcionar para podermos fazer propostas claras e concretas e não adiarmos eternamente o regresso das actividades culturais”, avançou à Inforpress.

O desafio é ver se se consegue ter outras propostas que, neste momento, não são óbvias e que nenhum dos atores conseguiu pensar ou ver o que é possível realizar.

A ideia é ter uma decisão pronta ainda no mês de outubro, mês em que é celebrado o mês da Cultura, e que num momento normal é marcado por vários concertos musicais em todas as ilhas.

Entretanto, Solange Cesarovna adiantou algumas propostas como a realização de 200 pequenos concertos em todos os municípios, em vez dos 22 concertos habituais, realizados nos 22 concelhos.

Outras propostas passam pela realização de concertos com lotação menor, respeitando todas as medidas sanitárias, repetição dos mesmos concertos em vários dias, utilização de espaços públicos, onde se pode garantir a protecção e segurança através de distanciamento das cadeiras, como na praça do Platô ou na praça da Assembleia Nacional.

Nas diferentes ilhas, ajuntou, pode-se adaptar os concertos às novas formas, sempre aproveitando os espaços públicos.

Outros formatos que estão a ser analisados é ter pessoas a assistir os concertos dentro de carros com distribuição do sinal pelo rádio, uma ideia que, sublinhou, é complexa, mas que está a ser implementado em outros países.

“Embora estejamos a fazer para um público menor, pode ser que implique mais custos e fica quase difícil materializar sem os financiamentos das instituições pública e privada”, advertiu.

Neste sentido, apelou às empresas que apoiem os grandes festivais para continuarem a apoiar as actividades culturais neste processo de retoma.

Por outro lado, apelou às autoridades que implementem a lei do mecenato, no sentido de encorajar essas empresas a contribuírem para o sector da cultura, isto porque, justificou para que o sector retome há que haver “um contributo e solidariedade maiores”, não só entre as classes, mas, entre todos os parceiros.

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