Com o objetivo de promover a justiça social e aliviar o fosso financeiro racial nos Estados Unidos nos próximos cinco anos, a JPMorgan, uma das maiores instituições bancárias norte-americanas, anunciou um plano de 30 bilhões de dólares para ajudar as comunidades negras e latinas.

Segundo a CNBC, a promessa do banco envolve uma combinação de esforços filantrópricos, empréstimos e investimentos que devem se estender além do seu fluxo regular de negócios e que pretendem combater o racismo sistémico.

A JPMorgan partilhou que os impedimentos dentro das estruturas financeiras nas terras do Tio Sam originaram profundas desigualdades raciais, exacerbadas pela pandemia do novo coronavírus.

“O racismo sistémico é uma parte trágica da história da América e nós podemos fazer mais e melhor para quebrar os sistemas que propagaram o racismo e a desigualdade económica generalizada, especialmente para negros e latinos. Já é tempo da sociedade lidar com as desigualdades raciais de uma forma mais tangível e significativa”, disse Jamie Dimon, CEO e presidente, MDIs da JPMorgan Chase & Co.

A revista Forbes informou que a empresa alocou pelo menos 8 bilhões de dólares em 40 mil hipotecas para famílias negras e latinas nos EUA e concedeu 100 mil unidades habitacionais acessíveis para comunidades carentes no valor de 14 milhões.

A empresa indica ainda que vai conceder 15 mil empréstimos comerciais a pessoas negras, latinas e empreendedores minoritários, num equivalente a dois bilhões de dólares, e que pretende investir milhões em cooperativas de créditos e instituições financeiras de desenvolvimentos comunitário e bancos de minorias.

Com este fundo, o banco também quer ajudar a melhorar a saúde financeira e acesso a instituições bancárias nas mesmas comunidades desfavorecidas.

Seguindo os apelos da opinião pública e movimentos que pedem justiça social, os bancos foram identificados como tendo desempenhado um papel importante na promoção de uma lacuna de diversidade racial através de negócios discriminatórios e práticas de empréstimos hipotecários que persistem até hoje. Em 2017, a JP Morgan pagou 55 milhões de dólares para encerrar um processo do Departamento de Justiça em que foi acusada de discriminação contra clientes negros e latinos. Já em 2018, pagou 24 milhões a ex-funcionários negros devido à discriminação no espaço de trabalho e, em janeiro deste ano, o banco privado voltou a ser abalado por mais denúncias de diversos clientes e funcionários negros.

Outras grandes instituições financeiras dos Estados Unidos fizeram igualmente as suas próprias promessas de lidar com a diversidade no local de trabalho ou como retaliação ao passado com o comércio de escravos. No entanto, a promessa de empréstimo da JP Morgan poderia ter um impacto muito maior para as comunidades financeiramente marginalizadas. O Wall Street Journal observa que os 30 bilhões de dólares em cinco anos é apenas uma fração da carteira de hipotecas de 190 bilhões do banco.

Carrego a cultura kimbundu nas veias. A minha angolanidade está presente a cada palavra proferida. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O meu mantra é "o conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, portanto, não seja recluso da ignorância".