Rahiz anunciou no seu perfil de Instagram que, aos poucos, vai deixar de seguir toda a gente e vai apagar o conteúdo que já publicou até então. Porquê? Porque o artista acredita que o seu perfil é alvo de shadowban, que pode ser traduzido como uma ferramenta da rede social para conferir menos engajamento a um certo tipo de utilizadores ou publicações.

“Procurei um expert e preciso fazer um reset no meu algoritmo”, começou por explicar o artista sobre o porquê de deixar de seguir outros utilizadores e apagar o conteúdo que já publicou. “O que peço às pessoas que me seguem é que não estranhem o meu unfollow. Preciso de recuperar o algoritmo correto desta página e sair deste shadow banning que já dura há anos e me prejudica no alcance que poderia ter o tipo de informação e trabalho que partilho”, continuou.

Para exemplificar, Rahiz contou como o YouTube usa alegadamente métodos dúbios para criar ou não engajamento nos canais dos seus utilizadores. “Uma flagrante foi o YouTube mandar uma mensagem a dizer que ganhei dez mil subscritores em menos de três meses com o meu podcast no canal do YouTube. Eu vou à página e só tenho mil. Se já sabia que era penalizado, nesse dia tive a certeza que o AI ( inteligência artificial ) ou seja o algoritmo da Internet já sabia bem quem sou e estava investido em tentar me derrotar por desistência”.

Mas afinal, o que é isto do algoritmo?

O Instagram, como qualquer outra rede social convencional, tem como objetivo tirar o máximo de rendimento possível através dos anunciantes. Para isso, é necessário conhecer os hábitos e gostos de cada potencial cliente, os utilizadores das redes sociais. Para isso, é utilizada uma Machine Learning, que digere e processa os hábitos de cada utilizador, para criar um feed único para cada um.

Sublinhando o óbvio, quanto mais pessoas virem e interagirem com um anúncio, mais probabilidades o anunciante terá de realizar vendas, e mais o anunciante vai pagar ao Instagram.

O algoritmo é a ferramenta que permite à rede social entender o quanto um utilizador gosta de um assunto pela forma como se comporta dentro da rede social. Se gostas mais de posts sobre viagens e comentas vídeos sobre cães, o algoritmo entende que deve dar prioridade a esses temas no teu feed. 

Para isso, é utilizada tecnologia que consegue reconhecer o conteúdo publicado, seja em fotografias ou vídeos. Ou seja, se queres que um determinado assunto ou tipo de publicações apareça mais vezes no teu feed, basta que gostes ou comentes posts do género e o algoritmo trata do resto.

Contudo, lembra-te que o objetivo final é apenas um: manter-te o máximo de tempo possível na plataforma para que te possa mostrar mais anúncios.

Há várias outras questões a ter em conta ainda, como o tempo de cada post, a tua interação com as pessoas que segues, envio de mensagens diretas, quem marcas nas fotos, que tipo de stories mais comentas.

É bom lembrar também que, por ter o mesmo dono que o Facebook, o Instagram não deixaria escapar tão facilmente todas as informações que já possui na outra rede social.

Mas nem tudo é tão linear.

Há ainda muito mistério que envolve o algoritmo das redes sociais e há quem as acuse de shadowban, que é o que acontece quando, por exemplo, o alcance das publicações e o número de seguidores diminuem. Ou seja, o conteúdo deixa de estar visível nas hashtags, na localização ou até mesmo na aba Explorar. A conta continua a existir mas as publicações só aparecem para alguns seguidores e excluindo potenciais novos seguidores.

Para se justificar, embora não confirme que usa essa técnica, o Instagram defende que a experiência do utilizador é prioritária, pelo que a plataforma considera justo punir perfis que utilizam técnicas que considera impróprias para se expandirem – como a compra de seguidores ou a utilização de bots – ou que não têm relação com o conteúdo publicado.

Mas parece que,m na prática, nem sempre é defendido o real interesse do usuário e a plataforma é acusada de usar o shadowban com interesses políticos, sociais e económicos.

Depois do movimento #BlackoutTuesday, em maio deste ano e que surgiu na sequência da morte de George Floyd nos EUA, várias pessoas acusaram o Instagram por praticar shadowban em posts relacionados ao Black Lives Matter.

Em resposta, o CEO do Instagram, Adam Mosseri, fez uma postagem na página do blog oficial da plataforma delineando um plano para a sua equipa examinar assédio, verificação de contas, distribuição de conteúdo e distorção algorítmica para que as vozes negras no Instagram tenham a visibilidade que merecem.

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