Gegé M’bakudi, natural do Sambizanga, em Luanda, considera-se um amante da pintura e da fotografia que, depois de se ter envolvido no universo das artes visuais, abandonou o sonho de ser engenheiro para se dedicar mais à arte.

M’bakudi define-se como um artista preto apaixonado pela beleza de África. As suas produções artísticas são frutos da imaginação, e afirma que grande parte da sua inspiração vem do conteúdo digital que consume e do convívio diário com as pessoas que ama.

Gegé M’bakudi descobriu o interesse e o gosto pela arte cedo e de forma muito natural. E hoje, embora não ganhe milhões de Kwanzas, sublinha que a sua arte é rentável, pois consegue sustentar-se com o trabalho artístico.

Qual o ponto mais alto que esperas alcançar com o teu trabalho?

Gegé M’bakudi é um ser que desconhece limitações quando precisa e quer alcançar um objectivo. Isso para dizer que estou preparado para ser tudo o que eu quiser ser, ainda que isso signifique nada para os outros.

Como avalias a forma como a sociedade angolana olha para o trabalho que fazes?

Eu já ouvi muita coisa, mas o balanço ainda é positivo. Sinto que muita gente me apoia e faz questão de demonstrar isso. E quanto ao apoio institucional literalmente inexistente, peço aos céus que novas oportunidades cheguem aos jovens artistas.

Por que razão optou pela pintura e fotografia?

Eu acho que isso tem muito a ver com a forma com que consigo exteriorizar os meus pensamentos. Sinto-me totalmente satisfeito com a apresentação visual dos meus projectos. Mais do que falar, representar ou mesmo cantar, as artes plásticas e fotografia permitem-me transmitir emoções.

A tua linha de trabalho prima pelo corpo, sobretudo o negro.  E vislumbra-se na tua arte o combate ao racismo. Qual é o motivo?

Desde muito cedo ganhei consciência da injustiça histórica que nós pretos sofremos. Sou africano e sinto-me em dívida com África pelo sangue preto que carrego nas veias. E é através do meu trabalho que decidi pagar esta dívida. Portanto, fazer arte sobre pretos e para pretos é o meu projeto de vida.

Já sofreste ou presenciaste alguma forma de racismo?

Felizmente não, pois nunca saí de Angola. Mas, estou completamente ciente que racismo é real e que temos de nos munir de “armas” para o combater.

“Qual Futuro” é o nome da primeira exposição colectiva em que participaste. O que apresentaste nela?

A exposição chegou à minha vida de forma aleatória e inesperada. Desde o primeiro momento agradeci ao universo por ter recebido o convite da parte dos curadores. Foi nesta exposição que apresentei o “Orquídeas”: uma das peças do meu livro de pintura que está a ser produzido.

Que lições tiraste dessa experiência?

Pude perceber que, como eu, há muitos artistas angolanos empenhados em mudar África com as suas obras e foi incrível ter vivenciado tudo isso, ainda que digitalmente.

Este período de confinamento tem-te permitido criar novas obras ?

Sim, tenho estado a produzir bastante. Tenho muitas coisas boas por apresentar. Então, fiquem atentos às minhas páginas na Internet.

Que projetos tens a curto, médio e longo prazos?

Estou a produzir o meu primeiro livro de pinturas intitulado “FLORES”, que se encontra já na fase final de produção. Outrossim, em colaboração com os meus amigos do IBAKU,  estou a produzir/criar um conteúdo audiovisual que em breve vai ser estreado.

Fala-nos sobre o IBAKU.

IBAKU é um colectivo de jovens artistas independentes de Luanda, que das mais diversas formas, manifesta o seu amor pela arte.

Para que serve?

IBAKU é um veículo que pretendemos usar para passar às pessoas a nossa visão do mundo em que vivemos. E, acima de tudo, serve como uma voz artística que quer preservar a cultura africana.

Quais são os teus principais sonhos no universo artístico?

Tenho muitas ambições, mas o meu principal sonho sempre foi ser lembrado como uma pessoa que ajudou a tornar o mundo num lugar melhor.

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