Gari Sinedima, compositor e intérprete, 27 anos, natural de Moçâmedes (Sul de Angola), é hoje um dos nomes sonantes da Nova Música Angolana. O artista acaba de lançar o seu segundo projeto, Conduto is a Mother Food, um EP que celebra a mulher, a Dipanda (independência) e onde se fundem vários estilos musicais do país.

O autor da música “Vanda Kupala” começou a dar os primeiros passos como cantor profissional em 2009, quando estudava no Colégio Catarina Cortês, por influência do músico Constantino. Embora o rotulem como intérprete de Jazz, Zouk, Soul Music e Afro House, enfatiza que diferentes estilos africanos têm grande influência na sua arte.

Gari Sinedima atingiu o mainstream em 2011, quando em colaboração com DJ Djeff lançou o hit “Piluka”. Tem participação em músicas de Eva Rap Diva e Kid MC. É autor do EP Gratidão e, antes da pandemia mudar radicalmente a rotina de trabalho do mundo das artes, cantou em festivais, espaços artísticos e participou de projetos culturais educativos.

Em alusão ao lançamento de Conduto is a Mother Food, que terá uma versão física lançada em dezembro, conversámos com o artista, que nos revelou alguns detalhes da concepção deste novo projeto e as suas ambições a curto prazo e longo.

Fala-nos sobre o Conduto is a Mother Food.

Conduto é o meu segundo EP, um maxi-single com sabor internacional que homenageia o valor da mulher e funde estilos musicais de Angola, África e do mundo; trazendo soluções, levando ideias criativas, propondo reflexões e novos olhares de forma a que o receptor, ao analisar-se mais, consegue edificar-se e edifica de igual modo os outros à sua volta.

O que te levou a dar esse título ao EP e que estilos musicais poderemos encontrar nele?

Conduto é uma palavra Umbundu que se usa para designar o acompanhante principal de uma refeição. Devido à fase de crise que muitos de nós atravessamos, o Conduto vem dizer que ainda assim é possível nos alimentarmos bem e sermos felizes. Tem este título devido ao conceito subjectivo de ser uma obra que alimenta a alma, o corpo, a mente e o espírito. A imagem da capa do EP é uma pintura feita pela artista plástica Sharon Figueiredo.

Que estilos músicais o público poderá encontrar no EP?

O EP funde estilos musicais como Soul Music/Zouk, Afrobeat/Kizomba, Afrohouse/Sungura e Kuduro. A obra comporta cinco faixas musicais cantadas em línguas de origem nigero-congolesa, inglês e português.

Por que motivo as músicas são também cantadas em inglês e línguas africanas?

As músicas são cantadas em inglês, português e línguas locais africanas de origem nigero-congolesa para que a obra seja consumida em toda a parte de África e do globo em geral.

O que te levou a gravar esta obra ?

Gravei esta obra pensando em partilhar ideias, melhorar o curso da minha e a vida do meu próximo, inspirado no poder da acção sob a crença de que alcançamos os nossos objetivos agindo, seja em momentos difíceis ou não.

Quais são as temáticas que abordas?

Sendo uma ilustração do que será o álbum a ser lançado em março do próximo ano, na obra, falo sobre a importância de se investir na educação e formação integral do homem como o principal catapultador da vida social. Falo do quão importante é termos uma identidade cultural local, abordo sobre arrependimento e salvação por Cristo Jesus; ilustro a temática de pensarmos boas coisas e agirmos de acordo as boas intenções que nutrimos dentro e fora de nós.

De quem é a composição e a produção?

A nível internacional, o projeto tem o o selo da Soumelo Records – editora belga, e as composições são, na maior parte, da minha autoria. A produção executiva é do Lipiki (Play Off Record).

O que é que os teus fãs vão encontrar neste trabalho?

Esse EP também é o resultado das sugestões dos meus fãs e amigos em cantar estilos músicais que não costumo explicar. Nessa obra, cada admirador ou admiradora se encontrará.

Foi difícil gravar esse EP? Fala-nos sobre os custos envolvidos.

Esta é uma daquelas obras caras. O orçamento ronda à volta dos dois milhões de Kwanzas (cerca de 2.500 euros). Foi possível avançar graças ao apoio dos meus amigos que aceitaram a parceria para que à posteriori os recompense, como Ramos (engenheiro de som), Tio Menha que patrocinou a edição para termos a obra em físico, o LipikiNoBeat (produtor), o Edlasio (CEO da Play Off), o multi-instrumentista e talentoso Jackes Di que fez os arranjos, e a 2M Produções em parceria com a Platina Line.

Qual é o ponto mais alto que esperas alcançar com esse EP ?

Com o Conduto almejo alcançar outros públicos em outros mercados.

Por que motivo escolheste o dia da Dipanda para lançar o “Conduto”?

Escolhi o 11 de novembro por ser um dia que marca a vida de qualquer cidadão de origem angolana: Conduto é Angola!

Como foi participar do Festival da Canção de Luanda e que lições tiraste dessa experiência?

É sempre um acumular de experiências. Aproveitei para estudar como ajudar os novos artistas a realizarem os seus sonhos. Uma das maiores lições que de lá tiro é que nem sempre vencer é ganhar.

Conseguiste alcançar os teus objectivos nesse concurso musical?

Consegui alcançar muitos dos meus objetivos. Um deles foi perceber que preciso urgentemente de apostar, apoiar e lançar novos artistas. Deu-me também forças para avançar e gravar esse novo EP.

Quais são os outros projectos musicais em que estás envolvido? Fala-nos de cada um deles.

Estou evoluindo no Projecto Kamutupo, é um formato de House music. Estou igualmente envolvido na Escola dos Artistas, um projecto que orienta artistas que carecem de direcção. Tenho a alma e as impressões digitais envolvido no projecto Canta Kandengue – espaço que apoia e ensina música a crianças e jovens. Atualmente trabalho como professor de música e faço direção artística a vários artistas. Faço também parte de um projeto de educação pelas artes (Okolonguissa), com a escritora e professora Kanguimbo Ananaz.

Este período de confinamento tem sido proveitoso para a tua arte?

Sim, tenho produzido atuando criativamente em outras disciplinas da arte.

Quais são os teus principais sonhos?

Meu sonho é ser um dos maiores investidores da arte em Angola e em África em geral, realizando sonhos e tornando melhores pessoas os indivíduos que me são próximos, para que todos nós, com os nossos dons, vivamos num lugar melhor até que Cristo volte.

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