O Ministério da Saúde (Misau) moçambicano lançou, pela primeira vez, um projeto-piloto de prevenção da malária, que pode evitar três quartos dos casos da doença, uma das que mais mata no país, anunciou o Governo.

A intervenção “pode prevenir 75% de casos de malária em crianças menores de cinco anos” e vai ser feita “porta-a-porta, através de voluntários comunitários supervisionados por trabalhadores de saúde ou pessoal qualificado”, esclareceu o Misau, em comunicado.

“É a primeira vez que Moçambique implementa esta estratégia, que será acompanhada por um protocolo de investigação científica em parceria com especialistas em pesquisa sobre malária”, acrescentou.

A iniciativa vai decorrer em dois distritos da província de Nampula (norte do país, a mais populosa) e consiste em dois medicamentos contra a malária combinados em quatro doses mensais, sob a designação “SPAQ – Suladoxina/­Piremetamina e Amodiaquina”.

As crianças dos 03 meses aos 05 anos de idade são o grupo alvo deste projeto-piloto.

A Campanha de Quimioprofilaxia Sazonal da Malaria será implementada em regime piloto na província de Nampula, nos distritos de Malema e Mecoburi, ambos escolhidos “após análise da estratificação da malária, sazonalidade e combinação com outras medidas de intervenção”.

Um terceiro distrito, Lalaua, será envolvido na avaliação como controlo.

Caso os resultados sejam positivos, o Misau vai expandir o método para outros locais em 2021.

De acordo com o mais recente relatório anual sobre malária da Organização Mundial de Saúde (OMS), relativo a dados de 2018 e divulgado há um ano, 968 mortes devidas à malária foram oficialmente registadas em Moçambique, menos 146 que no ano anterior e menos 2.386 que em 2010.

Segundo o mesmo relatório, estima-se o total de mortes, além dos casos registados, entre 11.900 a 18.400 pessoas. Em oito anos, houve uma descida de 23% no limite inferior da estimativa, enquanto o limite superior praticamente se manteve.

O país, com cerca de 29,5 milhões de habitantes, faz parte de um grupo de 11 Estados prioritários da iniciativa intitulada “De grande carga a grande impacto”, com a qual a OMS visa acelerar os progressos no combate onde a doença se mantém endémica.

De acordo com o último relatório anual, seis países concentram quase metade das infeções no mundo: Nigéria (25%), República Democrática do Congo (12%), Uganda (5%), Costa do Marfim, Níger e Moçambique (4% cada).

Em 2018, as estimativas apontam para que a doença tenha causado mais de 400 mil mortes, 380 mil em África e 270 mil em crianças com menos de 05 anos.

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