A Kugali Media é uma empresa africana de entretenimento, fundada em 2017 por três amigos da Nigéria e Uganda para contrapor as múltiplas histórias do continente e seus descendentes contadas por e de uma perspectiva de não-africanos.

Através da Kugali, Tolu Olowofoyeku, Hamid Ibrahim e Fikayo Adeola criaram uma coleção de banda desenhada, “Iwájú”, que se desenrola em Lagos, a capital de uma Nigéria futurística.

Agora, “Iwájú” – que se traduz aproximadamente como “o futuro” na língua iorubá – foi escolhida como uma nova série de TV pela Walt Disney Animation Studios.

A gigante da indústria cinematográfica anunciou que a série de animação vai estrear-se na sua plataforma de streaming Disney + em 2022, denominando-a como uma “colaboração inédita”. A Disney indica que não só será a primeira vez que um dos seus projectos se passa numa África “imaginada e contada por cineastas da região”, mas também é a primeira colaboração com outra empresa criativa “para concretizar um projecto”.

Embora ainda não tenham sido dados mais detalhes, a diretora de criação do Disney Animation Studios, Jennifer Lee, disse que a série vai explorar temas de “classe, inocência e desafio ao status quo”.

Esta não é a primeira vez que a Disney faz parceria com empresas de entretenimento africanas. Em setembro, o estúdio associou-se à FilmOne Entertainment, também da Nigéria, mas para a distribuição de filmes de propriedade da Disney na África Ocidental de língua inglesa.

Numa rápida vista de olhos na conta oficial de Instagram da Kugali Media, ficamos a conhecer alguns gráficos de “Iwájú”, bem como de “Nani”, uma outra série de BD. Nesta última, a aparência física eurocentrada das personagens pode surpreender, pela negativa, como se pode observar nos vários comentários.

“Por que são eles (os personagens) brancos? Então nem sequer em fantasia podemos existir?”, questiona um seguidor. “Isso é o que os europeus fazem. E vejam como esses personagens brancos estão a usar a estética africana”, retorquiu outro.

Não obstante, “Nina” foi objeto de um crowdfunding de 40 mil libras e, de acordo com a Kugali, o objetivo foi ultrapassado em 10 horas.

Entretanto, resta-nos esperar o lançamento de” Iwaju” para comprovar de que forma a identidade africana está ou não espelhada na série e perceber a influência da Walt Disney nesse processo.

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