Neste segundo episódio do podcast #MostraoTeuNegócio, Andreia Correia conta-nos a sua experiência inspiradora na primeira pessoa enquanto empreendedora por trás do famoso “Cuscuz de Terra”. Esta é uma história de perseverança enraizada na determinação da mulher africana e tendo sempre presente que “o nosso maior erro é que sejamos nós próprios a desclassificar os nossos sonhos. Devemos sempre, sob todas as hipóteses, acreditar, lutar e investir nos nossos projetos.”

Andreia Correia tem não um mas dois espaços dedicados à gastronomia do país que a viu nascer, Cabo Verde. São eles um restaurante e uma loja na Amadora e no Monte Abraão, na periferia de Lisboa.

O curioso é que Andreia não é uma empresária como as que normalmente conhecemos. Com 23 anos, destaca-se por ser uma empreendedora com um senso de responsabilidade profissional maduro.

Emigrou para Portugal ainda criança, aos 6 anos, para receber tratamentos médicos nos rins e foi em terras lusas, mais precisamente na Cova da Moura, que a sua vida se desenrolou desde então.

É formada em Gestão de Empresas, o que por si confere traquejo no mundo dos negócios.

Fiel a si mesma e, sob pena de não corresponder às expectativas dos pais, Andreia iniciou a sua vida profissional aos 18 anos. Trabalhou, sobretudo, em cadeias de restauração onde, manifestamente, começou a esboçar o seu gosto pela culinária.

Apesar de ter toda a sua vida em Lisboa, a empreendedora confessa que foi em Cabo Verde, numa das suas férias anuais ao país, que sentiu vontade e inspiração para iniciar o seu projeto “Cuscuz de terra”.

“Inspiro-me em todas as mulheres africanas. Elas lutam com afinco, tendo poucas condições, para pôr comida na mesa dos filhos. E nós, na Europa, queixamo-nos de coisas tão pequenas e insignificantes. Como somos capazes de não lutar pelos nossos sonhos tendo tudo à nossa disposição?”, questiona.

Andreia diz que as gentes de Cabo Verde têm um brilho que lhes é inato e que nem a pobreza, nem a falta de oportunidades, entre outras coisas, lhes pode tirar essa luz. E é precisamente nesse povo resiliente, humilde e lutador que Andreia encontra forças para continuar em frente, mesmo quando os obstáculos se atravessam no seu caminho, como a situação pandémica que estamos a viver.

Fã de cuscuz feito à moda cabo-verdiana, em pequena pedia sempre à mãe para o fazer, até que houve o dia em que a mãe disse que se queria comer, teria de aprender e fazer com as próprias mãos. Hoje, esse cuscuz, bem como o feijão-congo, a cachupa, entre outros pratos, são precisamente as iguarias à disposição no seu restaurante. O torresmo, o feijão-congo e o cuscuz estão entre os mais mais pedidos pelos clientes.

Tudo começou com os amigos. Eles pediam constantemente o cuscuz de Andreia, entregavam-lhe os ingredientes e ela preparava-os. Até que, chegou à conclusão que talvez fosse uma boa oportunidade transformar estas pequenas encomendas num negócio. Definiu metas e correu atrás delas. Começou em casa e agora, ao fim de dois anos, tem as condições criadas para manter espaços próprios e adequados. “Eu disse ‘Andreia, quanto começares a fazer x cuscuz por dia, durante um certo período de tempo, deixas de trabalhar’, para garantir que tinha clientes fixos. E sempre ultrapassei esse objetivo.” Contudo, a sua casa tornou-se pequena para a quantidade de encomendas e decidiu montar a sua empresa de raíz e deu vida a um sonho que tinha tudo para não passar disso mesmo.

Hoje, Andreia é conhecida um pouco por toda a diáspora e leva os seus cozinhados a vários cantos da cidade de Lisboa. Além de tudo, a empresa de Andreia é geradora de emprego e atualmente tem sob sua responsabilidade oito funcionários.

Descobre como começou esta aventura empreendedora de Andreia, bem como os obstáculos que encontrou, sobretudo durante a pandemia, no podcast que podes ouvir abaixo nas plataformas SoundCloud, Apple Podcasts ou Spotify.

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