Boaz, a nova voz guineense da kizomba

No mundo bíblico temos Boaz, um homem judeu muito respeitado e rico. No mundo da música temos Boaz Embali, um jovem guineense que teve uma educação baseada na religião e que, atualmente, quer ser uma das vozes de referência no mundo da kizomba feita em português.

Boaz cresceu no Bairro Luanda, em Bissau, e saiu da sua terra natal rumo a terras lusitanas com o objetivo de terminar os estudos. Contudo, a vontade de fazer música acabou por se sobrepor e, em 2012, acabou por dar os primeiros passos na indústria do entretenimento.

A inspiração para perseguir o seu sonho surgiu através de grandes nomes da música guineense como Manecas Costa, Tino Trimo e Zé Manel, mas Michael Jackson, Usher e R.Kelly foram os elementos chave que o instigaram a desenvolver o seu talento. “Eu tinha uma grande admiração pelas sonoridades que eles faziam na altura”, relembrou o cantor.

Em 2013, com o sócio Titocas Formoso (Hustla), decidiu criar uma dupla que passou por várias transições nominais e acabou por ficar “Guigui Boyz”. Um ano depois, a dupla foi dissolvida e Boaz acabou por seguir a sua carreira a solo.

“Malandra” foi o seu primeiro lançamento, uma kizomba gravada no verão de 2015 com o produtor Zimous David e a composição de Titocas.

Se o seu caminho na kizomba é agora certo, nem sempre foi assim. No início, o cantor acreditava que devia apostar num estilo mais hip hop e rnb, mas o tempo e um primo, Onesimo, acabaram por mostrar-lhe que o seu destino o conduzia à kizomba e ao zouk. “Ele sempre me apoiou e motivou a trabalhar numa música a solo num estilo diferente do hip hop e rnb porque ele acreditava na minha voz noutras sonoridades”, disse-nos.

O último single do cantor tem o título de “Encanto” e, em relação a tudo o que já disponibilizou até agora, Boaz conseguiu atingir a qualidade sonora e visual que pretendia. “Tenho investido muito na qualidade e tudo isso faz parte da minha evolução como cantor também”.

O primeiro som a sair este ano tem o título de “Controla”. Segundo Boaz, a música fala sobre o “domínio e controlo que as mulheres às vezes têm sobre os homens, sem querer generalizar”.

O single tem a produção do instrumental por Lobo Mau Music, gravação de Zimous David e mistura e master de Tiago Freitas. Já o vídeo, tem a produção de Sílvio Moreira.

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Bruno Dinis

Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.