Marcus Samuelsson é um exemplo de superação. Saído da pobreza extrema na Etiópia, o empreendedor é hoje dono de uma rede de restaurantes avaliados em 75 milhões de dólares, nos EUA.

Marcos Samuelsson é o seu nome adotivo, à nascença foi baptizado com o nome Kassahun Tsegie. De origens humildes, o pai era um padre da Igreja Ortodoxa Etíope de Tewahedo e a mãe morreu durante uma epidemia de tuberculose quando o chef tinha um ano de idade. 

Numa entrevista, Marcos descreve que a cabana onde viveu com a família tinha o tamanho de duas mesas combinadas de um dos seus restaurantes. Era ali que morava com outras seis pessoas.

Durante a guerra civil etíope, Marcus e a irmã Fantaye (hoje Linda Samuelsson) foram separados do resto da família e acabaram por ser adotados pelo casal sueco Ann Marie e Lennart Samuelsson. Na Suécia, foi com a avó adotiva, Helga, que Marcus aprendeu os segredos da cozinha sueca que, mais tarde, combinados com a culinária etíope, tornaram-se no elemento chave do sucesso do empreendedor nos EUA.

De acordo com a CNBC, Samuelsson chegou aos EUA, em 1994, com apenas 300 dólares na carteira, para ser aprendiz de chef no restaurante Aquavit. Aos 24 anos, com a morte do chef principal, Marcus acabou por liderar a cozinha daquele reputado estabelecimento sueco, situado no centro de Nova Iorque.

“Eu estava nervoso. Não queria ser eu a mandar a baixo a reputação de um restaurante famoso como o Aquavit. Todos os meus amigos na Suécia iriam saber disso. Mas também sabia que se trabalhasse muito, as coisas poderiam dar certo”, explica Samuelsson. Durante a sua direção, o restaurante chegou a receber três estrelas do The New Iorque Times.

Em 1997, o cozinheiro tornou-se sócio do Aquavit e, em uma década, abriu filiais da empresa em Estocolmo, Tóquio, um restaurante de influência japonesa chamado Riingo em Nova Iorque e o Red Rooster, localizado no Harlem.

Contudo, nem sempre tudo correu como o esperado. Um dos seus restaurantes, que visava a comunidade afro-americana, Merkato 55, localizado no badalado Meatpacking District de Manhattan, fechou um ano depois da inauguração. “Eu não sabia quanta africanidade, quanta “negritude” incluir no cardápio do Merkato 55”, disse à CNBC.

O seu império de restaurantes, antes da pandemia de Covid-19, gerava cerca de 75 milhões de dólares. Entretanto, o coronavirus levou a empresa a registar uma queda abrupta nas receitas de cerca de 80%.

“Levei 25 anos para construir isso e dez dias para desmoronar”, diz Samuelsson sobre a má fase que a sua cadeia de restaurantes atravessa, a par do resto do mundo.

Samuelsson não é apenas um chef aclamado internacionalmente, mas também autor de vários livros de receitas, incluindo o premiado James Beard The Soul of a New Cuisine, The Rise e Marcus Off Duty: The Recipes I Cook at Home.

Samuelson é também professor de Ciência Culinária Internacional na Escola de Restaurantes e Artes Culinárias da Universidade Umea, na Suécia; fundador do reconhecido site Food Republic; vencedor da segunda temporada de “Top Chef Masters” da Bravo, bem como da segunda temporada de “Chopped All-Stars”. O chef também foi juiz de “Chopped”, uma das séries de maior audiência da Food Network, com mais de 20 milhões de seguidores por mês, e foi mentor do programa “The Taste” da ABC, guiando uma equipe de novos talentos culinários através de uma série de desafios.

Em 2009, foi selecionado como chef convidado na Casa Branca durante o governo Obama, onde planejou e executou o primeiro jantar de estado do governo em homenagem ao primeiro-ministro Manmohan Singh, da Índia.

Samuelsson contribuiu ainda regularmente para empreendimentos filantrópicos, como Embaixador da UNICEF e co-presidente da organização Careers Through Culinary Arts Program, que trabalha com escolas públicas em todo o país para preparar alunos desfavorecidos do ensino secundário para a faculdade.

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