Os Estados Unidos manifestaram-se “extremamente desiludidos” com a recusa da extradição de fundador da WikiLeaks para o país, enquanto o México ofereceu asilo a Julian Assange e a companheira do ativista saudou a vitória da justiça.

Em Washington, num comunicado, o Departamento da Justiça norte-americano afirmou-se “extremamente desiludido” com a recusa da justiça britânica em extraditar Assange, garantindo, no entanto, que os Estados Unidos irão continuar a exigir a extradição.

Na Cidade do México, o Presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, ofereceu asilo político ao fundador da WikiLeaks, tendo indicado que irá pedir ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para que tome as disposições necessárias para solicitar ao Governo britânico a libertação de Assange.

“Tudo para que o México lhe possa oferecer asilo político”, sublinhou Obrador, numa conferência de imprensa.

Por seu lado, em Londres, Stella Morris, companheira de Assange, saudou o que considerou ser “um primeiro passo da justiça”, após a recusa da justiça britânica em extraditar o fundador da WikiLeaks para os Estados Unidos.

“Hoje, o dia fica marcado por uma vitória para Julian […], um primeiro passo para a justiça nessa questão”, declarou a advogada à imprensa no tribunal criminal de Old Bailey, em Londres.

Stella Morris apelou ainda ao Governo norte-americano a “pôr fim às perseguições” a Assange.

A justiça britânica rejeitou o pedido de extradição do fundador do WikiLeaks para os Estados Unidos, que pretendem julgá-lo por espionagem após a divulgação de centenas de milhares de documentos confidenciais.

A decisão proferida pela juíza Vanessa Baraitser, do Tribunal Criminal de Old Bailey, em Londres, é suscetível de recurso.

A juíza argumentou que a extradição seria prejudicial para a saúde mental de Assange, tendo considerado que ficou “demonstrado” que o australiano, de 49 anos, apresenta risco de cometer suicídio caso seja julgado nos EUA, onde provavelmente será mantido em condições de isolamento.

A justiça norte-americana quer julgar o australiano por este ter divulgado, desde 2010, mais de 700.000 documentos confidenciais sobre atividades militares e diplomáticas dos EUA, principalmente no Iraque e no Afeganistão.

Assange é acusado pelos Estados Unidos de cerca de duas dezenas de crimes, incluindo espionagem e divulgação de documentos diplomáticos e militares confidenciais, arriscando até 175 anos de prisão caso seja considerado culpado.

O Ministério Público britânico, em representação da justiça norte-americana, já indicou que vai recorrer da decisão do Tribunal Criminal de Old Bailey.

A decisão da justiça britânica foi já saudada também pela Amnistia Internacional (AI), que frisou, porém, as “motivações políticas” que marcam o processo. 

“Congratulamo-nos com o facto de Julian Assange não ser enviado para os Estados Unidos e de o tribunal ter reconhecido que, devido aos seus problemas de saúde, ele correria o risco de sofrer maus-tratos no sistema prisional dos EUA”, afirmou o diretor para a Europa da AI, Nils Muiznieks, num comunicado.

Em Moscovo, o ex-consultor de inteligência dos Estados Unidos, Edward Snowden, também saudou a recusa da justiça britânica em extraditar Assange para os Estados Unidos, esperando que tal seja “o fim” dos processos contra o fundador do WikiLeaks.

“Que este seja o fim (do caso)”, escreveu Edward Snowden na sua conta da rede social Twitter, respondendo a uma mensagem que relatava a decisão do tribunal britânico, que justificou a decisão com o risco de suicídio de Assange.

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