“Sakudi”, novo documentário de Lolo Arziki discriminado em Cabo Verde

A cineasta cabo-verdiana Lolo Arziki está a preparar um novo documentário. Sakudi vai ser rodado em Cabo Verde e o filme já é alvo de polémica, depois de ter sido discriminado pela Associação de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde.

A película, cujo título em português significa mexer, sacudir, revolucionar, conta a história de jovens LGBTQ + residentes em Cabo Verde, trazendo consigo uma visão sobre o contexto cultural do país, em específico, e africano, no geral, com o propósito de “sacudir” o “sistema de opressão machista, racista e homofóbico.

Ao todo são cinco histórias de sete jovens cabo-verdianos, que vão dar vida a personagens que fazem frente às lutas diárias no que toca à sexualidade, deficiências físicas, abrangendo até deficiências físicas, religião e outros assuntos.

Uma mulher transexual e muda; uma mulher que deambula entre a sua liberdade sexual e a contenção religiosa; um jovem que fala sobre o não binarismo de género, entre outros, são alguns dos protagonistas do filme.

Segundo Lolo Arziki, Sakudi tem co-produção portuguesa “surpresa” e irá concorrer a financiamentos internacionais.

Ainda a propósito deste filme, em setembro passado, Lolo acusou a Associação de Cinema e Audiovisual de Cabo-Verde de “discriminação institucional” por recusar financiar um filme que traz vivências e performance de pessoas LGBTQI em Cabo Verde, com a justificativa de que “não reflecte a cultura cabo-verdiana”.

A ACACV informou que não pode financiar o projecto porque não respeita o ponto 2.1 do regulamento, ou seja, não promove a diversidade cultural do país.

“Agora cabe a cada um entender se realmente um filme que fala sobre as pessoas LGBTQI em Cabo Verde, no contexto cultural do país, aborda ou não a diversidade cultural”, questionou à Inforpress, realçando que a diversidade de género não é uma coisa nova na sociedade africana e cabo-verdiana e que a mesma tem diversidades de género.

Para a cineasta cabo-verdiana, ainda que o documentário não tivesse esses elementos, só o facto de trazer a reflexão sobre a relação desta sociedade com pessoas LGBTQI já tem um ponto de vista cultural, pois reflecte a história e a cultura de um povo, tendo lamentado o facto de Sakudi não ter assinatura nacional.

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TRABALHO DE PRETO
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Bruno Dinis

Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.