Ambiente: Grande Muralha Verde, o projeto que pode salvar África

Thomas Sankara, o presidente herói do Burkina Faso, o homem que rebatizou a ex-colónia francesa Haute-Volta como Burkina Faso – que significa “Terra dos Honestos”, ou “Eretos” – reconhecia a importância da mudança climática e da desertificação, como a maior ameaça ao bem-estar do seu povo. A Grande Muralha Verde pode finalmente ser uma das soluções para os problemas apontados pelo pan-africano e amigo do ambiente Sankara.

A Grande Muralha Verde é um projeto que consiste numa grande linha de árvores que se estenderá da costa de África ao Mar Vermelho e que divide o deserto do Saara ao norte e a savana do Sudão a sul.

Não se trata de uma simples linha verde, mas de um cinturão que poderá provavelmente diminuir os efeitos das mudanças climáticas e que, depois de concluída, irá medir aproximadamente oito mil quilómetros de cumprimento e 15 mil quilómetros de largura, tornando-se na maior estrutura viva da terra e uma nova maravilha do mundo.

O muro promete ser uma solução convincente para as muitas ameaças urgentes que enfrentam não apenas o continente africano, mas a comunidade global como um todo – nomeadamente as mudanças climáticas, seca, fome, conflito e migração.

A muralha está a ser implementada na região do Sahel, uma zona que é considerada como uma das mais pobres do planeta.

Com o selo da União Africana, cinturão irá envolver países como Argélia, Burkina Faso, Benin, Chade, Djibouti, Egito, Etiópia, Líbia, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Somália, Sudão, Gâmbia e Tunísia.

Por ocasião do Dia Mundial contra a Desertificação e a Seca no continente, o projeto foi reativado em 2002 em N’Djamenta, no Chade. Três anos depois, acabou por ser aprovada pela Comunidade dos Estados do Sahel e do Saara durante a sétima sessão ordinária, realizada em Ouagadougou, no Burkina Faso.

Em 2007, o projeto começou a ser construído e teve inúmeros desafios. A falta de financiamento, acabou por atrasar os prazos estabelecidos e deixou também de receber um investimento no início de 2020 devido à situação conflituosa no Burnkina Faso.

Recentemente, o Banco Mundial interessou-se pelo projeto e decidiu mobilizar cinco bilhões de dólares em cinco anos, com o objetivo de dar continuidade ao projeto ambicioso.

Além do Banco Mundial, o fundo fiduciário, Progreen, financiou 14 bilhões para combater a degradação terrestre em cinco países do Sahel, como o Níger, Mali, Burkina Faso, Chade e Mauritânia.

Segundo dados divulgados pela ONU, a muralha gigantesca já recuperou 15 milhões de terra degradadas na Etiópia e mais 5 milhões hectares e 2 mil hectares na Nigéria e Sudão respetivamente.

Estima-se que até 2030, o projeto absorva 250 milhões de toneladas de carbono e ter criado 10 milhões de empregos em áreas rurais.

Fernando Meirelles, diretor indicado aos prémios Oscáres com o filme Cidade de Deus, retratou a história do projeto com o filme documentário The Great Green Wall (A Grande Muralha Verde traduzida em português) a jornada épica do projeto, dando uma visão ambiciosa do GGW.

The Great Green Wall conta o trajecto de Modja, que persegue um sonho africano para uma geração que pretende controlar o seu próprio destino, relembrando da gigantesca tarefa.

O filme esteve e venceu vários festivais como o Audience Awards (2019), Beyond Film Festival (2020), EarthxFilm (2020), ECO CUP, 43ª Mostra Internacional de Cinema .

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Bruno Dinis