Stela de Carvalho | DR

“Já entreguei currículos em todas as empresas de Angola”, Stela de Carvalho

Stela de Carvalho é a “queridinha” da televisão de Angola e facilmente percebemos porquê. Sempre de sorriso aberto e com um carisma capaz de alegrar até um coração de pedra, a “blindada por Deus”, esteve em direto com Maria Barbosa no Instagram da BANTUMEN para conversar sobre cabelo afro, empoderamento, a luta para encontrar um emprego, o seu percurso na televisão e o que ambiciona para o futuro.

Um milhão de seguidores nas redes sociais, uns tantos outros que a vêem diariamente na televisão, no programa “O Momento da Blindada”, Stela iniciou recentemente um novo ciclo na sua vida ao adoptar o seu cabelo tal como é. Sem desfrisante, nem recurso a perucas ou extensões, Stela quer que meninas, adolescentes e mulheres reconheçam a beleza dos seus cabelos naturais, começando por abolir palavras negativas que a ele sempre estiveram associadas como feio, ruim, esfregão, entre outras tantas.

A decisão foi tomada em plena consciênciaem 2020. Depois de confirmar a sua intenção com a direção do canal ZAP Viva, durante um ano, Stela teve de se adaptar à transição, afinal, não é do dia para a noite que se mudam rotinas incrustadas desde sempre, além de que cuidar de um cabelo afro natural requer tempo, paciência e aprendizagem.

E se desistir foi quase opção, Stela não se deixou dar por vencida. “Quem usa perucas sabe também o sofrimento que é”, explica referindo-se à frequente comichão capilar, por exemplo. Portanto, “foi a melhor decisão que já tomei. É uma decisão que não tem nada para eu me arrepender mais tarde. É o meu cabelo, são as minhas raízes e mais nada. Não são as pessoas que têm de aceitar. Quem tem de gostar de mim sou eu.”

Apesar de ser uma decisão estritamente pessoal, a “blindada por Deus” sabe que, sendo uma figura pública, há opiniões que têm de ser tidas em conta. Com a direção do seu programa, teve de ter uma “uma boa conversa” e apresentar as suas motivações, mas tendo sempre em mente que “as audiências do programa são as audiências do programa. O que dá audiências não é o cabelo curto ou o cabelo comprido. A imagem do apresentador é importante, mas não é só um cabelo bonito, uma maquilhagem e umas pestanas. Então porque não aceitarem? É só o meu cabelo”, explica.

Sobre a opinião das pessoas em geral, Stela indica que “há sempre controvérsias. Nunca aceitam assim logo de primeira. Estudam-te um pouco para saber qual é a tua ideia e se tens bases suficientes para te defenderes. Tens de ter paleio e ter argumentos”.

Sobre a carreira de Stela de Carvalho, para quem não conhece ou não acompanha, tudo começou como figurante em duas novelas angolanas. Entretanto, preferiu dar prioridade aos estudos e acabou por deixou de lado a representação.

“Atiraram-me aos leões, mas fui cheia de escudos”

Mais tarde, já depois de ser mãe de três (atualmente são quatro), quis voltar ao ativo. “Estava numa luta infernal para encontrar emprego”, disse na conversa com Maria Barbosa.

E que não se pense que o fato de ser já esposa de um famoso apresentador de televisão, Benvindo Magalhães, tenha facilitado a tarefa.

“Antes da crise, ia entrar para o Governo Provincial [depois de participar num concurso público], mas depois a crise aconteceu. As coisas acontecem quando têm de acontecer. Recebes um não daqui, recebes um sim gigante dali. As pessoas pensam que eu entrei na Zap por intermédio do meu marido. Já expliquei 500 vezes que não foi ele que me colocou lá. Eu já era mulher do Benvindo Magalhães e eu já entregava currículos. Ia para as empresas e entregava currículos e ele era uma pessoa conhecida. Ele próprio recebeu o meu currículo… Eu já estive numa cadeia televisiva e entreguei o meu currículo na portaria. Ia para os cibers [cafés] com um jornal [para responder às ofertas de emprego]. Eu acho que já entreguei currículos em todas as empresas de Angola.”

Contudo, apesar da insistente procura, a chegada à Zap aconteceu por acaso. Uma amiga disse-lhe que estavam a precisar ocupar um cargo, mas o facto de Stela ser esposa de uma figura pública poderia ser impeditivo, visto não oferecer a visibilidade “merecida” à frente das câmeras. Contudo, sem hesitar, “blindada” respondeu: “Eu quero trabalhar. Não quero emprego, quero trabalhar. Sair de casa. Entrei para a Zap como assistente editorial. Entrei para um programa em que depois me tornei apresentadora desse programa. Eu já era cobaia nos ensaios e quando a apresentadora desistu colocaram-me a fazer o casting“. Ao ser aceite, ter de assumir o leme do “Viva à Tarde” fê-la tremer. Contudo, a sua fibra de guerreira fê-la aceitar o desafio. “Atiraram-me aos leões, mas fui cheia de escudos. Estou bem viva”, disse de sorriso rasgado.

Para veres e ouvires a conversa completa e conheceres melhor a apresentadora angolana, ferrenha admiradora da portuguesa Cristina Ferreira, acede ao Instagram da BANTUMEN e faz play no último vídeo do IGTv.

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