Bráulio Pitra

“Quero ser o melhor autor e músico que já existiu”, Bráulio Pitra

Nesta entrevista, quando pedimos a Bráulio Pitra que se definisse, o mesmo devolveu-nos uma resposta evidente, mas com uma assertividade desconcertantemente intencional: negro, africano, 24 anos, nasceu em Sacavém, na Quinta do Mocho, e foi ali que ganhou a sua visão artística.

Com a dança incrustada nos seus ossos, a música no seu batimento cardíaco e a criatividade a fervilhar nas suas ligações neurais, apresentamos-te este novo artista de mão cheia que vais com certeza querer seguir nos próximos tempos.

Como é que entraste no mundo da música?

Entrei no mundo da música através dos meus amigos Emanuel Carvalho e Cedrick Monteiro. Sempre gostaram de ouvir música, o Cedrick tocava, e ainda hoje toca guitarra e escreve as suas letras, o Emanuel sempre ouviu batidas de hip hop nos nossos ensaios de dança e hoje é um produtor beatmaker. Tive que perseguir a música porque ela ajudou-me a expressar os meus sentimentos. Sendo um rapaz introvertido posso dizer que a música para mim é terapêutica.

Como nasceu a tua primeira música, onde gravaste e qual a história por detrás da mesma?

A minha primeira música nasceu num intervalo de almoço do meu antigo estágio em 2017. Chama-se “Artista”. Senti-me criativo quando ouvi um colega a tocar a música do Valete, pensei para mim mesmo que eu também podia fazer aquilo. Falei com um amigo chamado Rui Tavares, ele levou-me para o estúdio do Tayob J, um dos melhores produtores de música em Portugal. “Artista” para mim expressa a fome de um criativo que quer ser uma inspiração e como ele se esforçará para ser o melhor de todos os tempos.

Com quem já trabalhaste nesse meio e com quem gostarias de trabalhar?

Trabalhei com nomes conhecidos no campo das artes performativas,
atores como Rúben Madureira e atrizes como Sissi Martins.
Uma das minhas canções, “Tigre”, foi produzida pelo Artur Guimarães e co-escrevi ao lado do Pekagboom “Vida Preta do Negro”. Adoraria trabalhar com quatro artistas, dois de Portugal e dois do Reino Unido. De Portugal Sam the Kid e Valete, do Reino Unido Stormzy e Dave.

Quais são as tuas influências em português?

Sam The Kid, Valete e Slow J. Estes três estão no topo da minha lista dos melhores escritores. Valorizo a escrita criativa e sigo o mesmo caminho deles, quero ser o melhor autor e músico que já existiu.

Que tipo de mensagem queres passar com a tua música?

A mensagem que quero espalhar com a minha música é a conscientização,
destemor e liberdade para se divertirem enquanto vibram com a minha sonoridade.

Quais são os maiores desafios neste teu percurso?

Um dos maiores desafios que tive foi encontrar o flow específico para aquele som [“Tigre”]. Tinha a letra no meu bloco de notas, mas a minha execução na cabine de voz às vezes era bem medíocre. Mas agora, apenas memorizo as letras primeiro e então, quando me sinto pronto, vou direto para a cabine e gravo.

Sobre a Occhi Magazine, como foste lá parar?

A minha colaboração com a revista Occhi, incluindo a minha marca OS VMC VICTORY MOB CREW LTD, foi realmente surpreendente. Uma das minhas amigas aqui no Reino Unido apresentou-me ao editor da revista, Davide Emmanuel. Tivemos uma boa conversa sobre consultoria musical, trocámos contactos e depois um dia, 24 de dezembro, quando lancei o projeto Best of the Best, com a participação do meu amigo Cedrick Monteiro, no canal OS VMC no YouTube, Davide procurou-me dizendo que amou a música e o nosso movimento, então escreveu um artigo sobre mim e OS VMC na plataforma deles.

Tens uma série de habilidades criativas dentro de ti. Consegues conciliá-las sem qualquer conflito?

Para ser franco, uma das desvantagens é a minha ansiedade, porque estou tão envolvido com tudo, desde o visual até às roupas e à música, que posso ficar extremamente ansioso e preocupado que as coisas possam desmoronar. Mas a chave é o equilíbrio. Sem isso, não consigo proteger a minha sanidade.

Como é que surgiu a dança no teu universo artístico?

Fui atraído para o mundo da dança através do hip hop. Costumava assistir ao programa “America’s Best Dance Crew”, na MTV, e fiquei realmente impressionado com um grupo de dança, os Jabbawockeez. Os seus movimentos de dança eram atraentes para os olhos e eles expressavam sempre uma história através dos seus passos de dança. Então eu, como crente, estava motivado a fazer o mesmo.

No mercado da música lusófona, como pretendes destacar-te?

Quero destacar-me como um criativo que vai revolucionar a nossa arte
através de meios visuais, com um conceito novo e inovador de ideias e temas que irão chamar a atenção da multidão.

Qual foi o último trabalho que lançaste?

O meu último single é “Best of the Best”, do meu próximo EP In Pursuit of Victory Vol.1.

Como foi o seu processo criativo?

É uma colaboração com o meu melhor amigo Cedrick Monterio, que reside na Bélgica. Trocámos ideias e Cedrick enviou-me as suas vocais e o instrumental e gravei em Croydon [Reino Unido], no estúdio do meu amigo Mash, da MM Records. A produção do vídeo foi feita por um designer de movimento gráfico chamado Yusfillar, na Indonésia. “Best of the Best” expressa o poder da autoconfiança, de que podes ser o melhor na tua área se trabalhares para isso e nunca desistires de perseguir os teus sonhos e objetivos.

O que podemos esperar de ti ainda este ano?

Podem esperar um bom trabalho musical meu e do OS VMC. Como diretor criativo dos OS VMC, também irei trabalhar com designers para uma nova linha de roupa para o nosso projeto musical. In Pursuit of Victory está também em andamento, então, sejam pacientes e fiquem ligados ao nosso canal do YouTube, OS VMC Official, e ao nosso website.

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