Pitt Kelson, um dos pioneiros do drill em Angola

O drill está a ganhar cada vez mais o seu espaço na cena musical dos países de língua portuguesa e já existem fazedores que estão a dar “sangue” ao estilo em Angola. Pitt Kelson é um deles.

Da Avenida dos Combatentes, Luanda, para o mundo, Kelsio da Cruz de 19 anos responde nas ruas pelo nome de Pitt Kelson. O jovem é por muitos considerado como um dos pioneiros do drill de raiz angolana.

O menino do “escomba” (vulgo de Avenida dos Combatentes) tem conquistado o seu público pela sua agilidade a dropar e com linhas cruas que espelham o estilo de vida nos guetos da cidade capital.

Pitt não é de egotrips, o que acaba por demarcá-lo do que se tem feito em Angola dentro do movimento hip hop. Por que é diferente? O próprio explica: “Sempre fui um crente e também muito perturbado. Andava com gajos de vida bandida e não com rappers”.

Em 2016 gravou o seu primeiro som a solo, “Tamo a Ballin”, com a participação de um amigo que já tinha alguma experiência dentro do movimento.

“Muitos diziam que ele era forte demais para estar num beat comigo. Tive até de fumar para ganhar inspiração e cheguei, recebi muitos props e isso fez-me querer continuar”, contou Kelson.

Para o driller, o estilo em Angola está numa boa caminhada, mas acha que a essência dos artistas precisa estar bem patente nas músicas que são lançadas. “Sinto que falta mais alma na lírica”.

Sobre as suas referências, Pitt destaca o norte-americano Eminem. “No nosso mercado não tenho uma única referência. Tenho a minha sonoridade como fruto de tudo que já ouvi e continuo a ouvir, sem desrespeitar o rap nacional, até porque sou ouvinte e respeito todos os fazedores. No mercado internacional bebo muito do Eminem”, revelou.

No seu canal de YouTube encontramos quatro músicas. A primeira, “Sucupira”, foi lançada há dois meses e dá-nos uma sonoridade mais kudurista, que pode ser interpretada como a faixa de transição para o drill no seu estado mais bruto à moda Angolana. Essa segunda fase, observamos sobretudo em “Muita Inveja no Meu Gueto”, que é a faixa com mais popularidade, com 52 duas mil visualizações, em um mês .O que é um número relativamente bom para Angola, considerando que a música ainda circula muito através de formas alternativas como o WhatsApp e redes sociais.

“Muita Inveja no Meu Gueto” foi lançada em junho do ano passado e é um drill que ganhou visibilidade no Twitter. A letra fala-nos da sua luta para sair da precariedade do bairro e que o foco é a chave, para ele e para os amigos que vai arrastar no seu sucesso. Em janeiro de 2021, o single ganhou videoclipe, fruto de uma parceira com o videomaker Xixi Filmes.

A popularidade da música acabou por chegar aos ouvidos de Inamotto e Hélder David, que fizeram um vídeo de análise no projeto 2contra1.

Quanto a projetos futuros, Pitt Kelson ainda não avança novidades, mas garante que, junto com seu team, Zona Pambaloza, estão “sempre a escrever e a gravar”, portanto pode ser que em breve surja um som novo dentro da cena drill angolana. “O que mais temos são músicas e estamos a trabalhar e a estudar o movimento. Lançamos quando sentirmos a necessidade de mandar um material novo”, concluiu.

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Marito Varela

De Benguela para o mundo. Dos blogs, da música, das tecnologias e das ciências.

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