Hélder Moreno Lopes e Fábio Melo Cruz, Papiada Podcast | DR

Papiada, um novo podcast com tempero crioulo

Hélder Moreno Lopes e Fábio Melo Cruz são a dupla pensante que criou um novo podcast onde partilham os seus pontos de vista sobre a geração millennials, tecnologia, política, temas de atualidade e muito mais, num tom leve e com um humor sarcástico à mistura.

Amigos de infância, os jovens, atualmente, encontram-se a viver em Portugal e é precisamente a partir de Lisboa que gravam os episódios lançados semanalmente. Com recurso à plataforma Anchor, Hélder e Fábio fazem acontecer e, tendo em conta, a situação pandémica, conseguem ultrapassar a necessidade de estarem no mesmo espaço físico que os entrevistados, por forma a que a plataforma tenha sempre conteúdo atualizado.

Com o projeto no ar desde agosto de 2020, os dois podcasters ecléticos já levaram ao seu programa o humorista cabo-verdiano Enrique Alhilho e Maria Barbosa, produtora de conteúdo para a BANTUMEN, entre outros convidados.

Há quanto tempo estão em Portugal?

Desde 2009, quando viemos para a Universidade. O Fábio nasceu cá e dos seus quase 30 anos viveu 20 em Portugal, volta e meia vai viver para fora, mas acaba sempre por voltar. O Hélder gostou tanto do país, que ainda cá está.

Criaram o Papiada em Cabo Verde ou em Portugal?

Se houvesse uma certidão de nascimento, seria Portugal. No entanto, a ideia nasceu para ser um podcast sobre Cabo Verde e por agora é uma mistura dos dois.

Qual a vossa maior motivação para terem decidido ter um podcast?

O facto de termos um leque grande de interesses, que normalmente vamos partilhando um com o outro, e termos notado que nos nossos meios somos das poucas pessoas interessadas (e informadas) nos mesmos, e com isso pouco a pouco fomos também partilhando sobre esses interesses nos nossos círculos. Entretanto, fomos desenvolvendo um gosto por pesquisar e aprender sobre os nossos interesses e/ou temas relevantes na atualidade e dar sempre uma perspetiva nossa, independente e leve sobre os mesmos. Daí termos a ideia que a Papiada se está a transformar num veículo onde partilhamos com mais pessoas os nossos interesses e descobertas.

Está a corresponder às expetativas?

Não havia expetativas, para sermos sinceros. Com a mentalidade de experimentar, aprender e melhorar vamos dando forma ao projeto. No início, aquilo a que nos propusemos foi fazer um piloto de cinco episódios e não correu mal, daí termos continuado e neste momento temos 12 sem perspetiva de chegar a um número ou objetivo em específico.

Onde pretendem chegar, quais as metas traçadas para o Papiada?

Continuarmos a aprender sobre temas que forem aparecendo e ter uma comunidade onde o Papiada é sinónimo de aprendizagem, informação e inspiração. Ser milionários e viver disto, não termos de nos preocupar em trabalhar mais na vida seria um bónus interessante.

A pandemia tem afetado a forma como trabalham?

Sim, porque se não fosse pela pandemia, talvez não tivessemos começado. A primeira vez que falámos sobre fazer um podcast foi há mais de dois anos mas tínhamos outras prioridades. Com a pandemia muitas coisas alteraram-se e, com a falta de vida social, quisemos preencher o tempo com novos hobbies e entre fazer um podcast ou aprender a fazer pão, escolhemos o primeiro.

Gravam num estúdio próprio?

Depende da definição de estúdio… Começámos por usar o quarto do Hélder e agora usamos videochamadas. A nível de material somos muito frugais, temos um iPad e dois computadores que fazem o trabalho. Fomos investindo e agora temos um microfone (oferecido pela namorada do Fábio) e mais nada. A ideia é ter um projecto com budget zero, pelo menos até termos algum retorno além da aprendizagem.

Qual é a vossa formação?

No sentido mais formal e académico vimos os dois de Economia. Fomos à universidade e esse foi o curso que escolhemos, porque queríamos ser ricos, bem sucedidos e trabalhar em conomia (o que quer que seja que isso significa). O Hélder decidiu não terminar porque era aborrecido e por isso trocou a licenciatura em Economia por Marketing, agora falta-lhe descobrir como ser rico e bem sucedido a trabalhar em Marketing. O Fábio acabou a licenciatura em Economia e fez um MBA em Gestão e Marketing mas ainda não sabe o que quer ser quando for grande.

Como se preparam para as entrevistas? Quais os motivos para escolherem os entrevistados que escolhem?

Com jornalismo de investigação aprendido no Google. Normalmente convidamos pessoas que entendem mais dos assuntos que queremos falar do que nós, e não querendo fazer figuras de parvo pesquisamos sobre os temas. Algo tão simples como artigos de fontes credíveis, páginas pessoais das redes sociais e uma conversa prévia onde entendemos se o convidado tem nível para estar na Papiada. É mais arte que ciência.

Em quem se inspiram?

O nosso podcast favorito é o Sem Barbas na Língua, um podcast português em que dois gajos falam sobre diversos temas e como um deles é comediante, mete umas piadas pelo meio. Já os seguimos há algum tempo e gostamos do conteúdo produzido e com inspiração nesse formato criámos a Papiada.

Hoje em dia, fazer um podcast é mais fácil do que nunca, só é preciso um smartphone e acesso à Internet. No entanto, ter um podcast é mais dificil do que parece, há muitos detalhes até o episódio chegar ao ouvido dos nossos ouvintes, desde a preparação, ligar o microfone e manter uma conversa fluida e interessante e construir uma comunidade à volta do podcast, são coisas que só se vão aprendendo com a experiência.

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Maria Barbosa

Irrequieta, consciente e com muita sede de aprender! Encontrei na liberdade criativa da BANTUMEN uma das minhas mais valiosas oportunidades de mudar o mundo.