Our Native Daugthers | DR

“Our Native Daughters”: O doc que explora a resiliência da mulher afro-americana

“Reclaiming History: Our Native Daughters” é o mais recente documentário, lançado nos Estados Unidos, que explora as histórias de mulheres escravizadas e o, muitas vezes esquecido, legado musical africano que perdura até aos dias de hoje na cultura norte-americana. A premissa do documentário surgiu depois de em 2019, Rhiannon Giddens, Leyla McCalla, Allison Russell e Amythyst Kiah, quatro cantoras afro-americanas, terem lançado o álbum Songs of Our Native Daughters, uma produção que um dos elementos acredita estar ligada à ancestralidade.

“O todo tornou-se maior do que a soma das suas partes. Parecia que os nossos ancestrais estavam lá connosco [aquando da realização do projeto]. Não estaríamos aqui a fazer isto se não fosse a força, a resiliência e uma tremenda riqueza dessa linhagem que se prolonga em nós. E isso foi a cura. Foi uma experiência de cura fazer esta música em conjunto”, explicou Allison Russell em declarações à imprensa, quando questionada sobre o impacto do projeto na sua vida.

Mais do que resgatar o orgulho de outrora, “Our Native Daughters” também explora a apropriação cultural no seio musical norte-americano. De toda a sua diversidade musical, a música americana deve à cultura afro-americana géneros como Rock n Roll, Country, Jazz e R&B, que segundo Giddens, têm sido frequentemente branqueados, ou cujas referências aos seus criadores são apagadas. Algo que a cantora considera frustrante, apontando críticas ao lobby musical e afirmando que a arte pode atravessar as clivagens raciais na música.

“Cada uma de nós tem tido frustrações com a forma como a música americana é segregada ao ponto de não ser uma questão de os Negros não gostarem da música [referindo-se a certos géneros]. É que o acesso é distorcido, por causa da história da música que todos nós fazemos e por causa da forma como tem sido dividida e falsificada a narrativa”, reitera Giddens.

O projeto liga as histórias ancestrais de mulheres africanas e afro que navegam na escravatura e na opressão racial ao longo da história recente, às suas próprias experiências dos tempos modernos como mulheres negras do quarteto musical. Um processo criativo que parece ter sido tanto traumatizante como ao mesmo tempo culturalmente fortalecedor.

“Somos uma espécie africana que criou uma diáspora em todo o mundo e todos estes belos ramos da linhagem cresceram na cultura. E andamos para trás e para a frente e para trás e para a frente. E há toda esta dor e miséria ligada a isso. Mas também há resiliência, esperança, alegria, inovação ligada a isso. E por mais que possamos – por mais que precisemos de enfrentar a dor do passado, também temos de trazer para a frente a alegria e a inovação. E penso que foi isso que tentámos.”, afirma Russell em jeito de conclusão.

“Our Native Daughters”, estreou no canal Smithsonian, no YouTube, nos EUA, a 22 de Fevereiro.

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TRABALHO DE PRETO
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Marisa Rodrigues

Inconformada por natureza, acredito que o sucesso é um processo de melhoria contínua. Apaixonada pelas liberdades e oportunidades que a vida tem para oferecer. Teimosa o suficiente para não desistir, inteligente o suficiente para saber quando desistir.