Wiyaala | DR

Wiyaala: de “demasiado negra” para o sucesso a mulher da década

Wiyaala é atualmente um dos nomes mais sonantes do Afropop no Gana e tem vindo a conquistar palcos um pouco por toda a Europa e Reino Unido. No entanto, a artista começou por ser “demasiado negra e masculina” para a indústria musical, que tentou mudar a sua imagem por não corresponder aos standards habituais de uma artistas de sucesso.  

Nasceu em Wa, no norte do Gana, onde começou a dar os primeiros passos na música como backing vocal e a escrever as suas próprias letras. Quando começou, além da sua imagem diferente e forma de vestir arrojada, “uma mulher fazer sucesso na música era completamente impensável”. Só em 2012, depois de participar no programa de televisão “Vodafone Icons”, Wiyaala obteve exposição nacional e, a partir desse momento, nunca mais parou. 

Prestes a lançar o seu novo álbum, Wiyaala mal pode esperar para voltar aos palcos. A sua digressão foi adiada devido ao Coronavirus, mas a cantora tem concertos planeados em países como Reino Unido, França e Alemanha para apresentar “Yaga Yaga”, que segundo ela “não é um álbum só para o Gana, é para o mundo inteiro ouvir e especialmente produzido para festivas”.  

A verdade é que a cantora tem pisado palcos de festivais internacionais desde 2015, atuando em eventos como o Hague African Festival, na Holanda, o Afrikadey Festival, em Calgary, no Canadá ou o Freedom Festival no Reino Unido. É a energia que recebe do público, quando está em palco, que inspira as suas músicas e letras, que diz serem sempre experimentais, reflectindo cada viagem, pessoa que conhece ou momento que vive ao longo da sua vida. Nao é de estranhar que os seus álbuns sejam tão diferentes, o que a torna numa cantora multifacetada e versátil que se descreve como “uma artista real” e promete muito positivismo, risadas e um sorriso no rosto garantido depois de cada atuação.  

Wiyaala mistura o pop com a música tradicional ganense e canta não só em inglês mas também sissala e waal, idiomas que aprendeu graças aos pais. Esta fusão de sonoridades está claramente presente em “Yaga Yaga”, ao qual a BANTUMEN teve acesso antes do lançamento oficial. Quase sem baladas, é uma viagem entre o pop, o dancehall e o afrobeat, que  explora novos registos da cantora que seguramente vão agradar os fans. 

Actualmente a viver na sua cidade natal, no Gana, Wiyaala tem aproveitado este tempo sem concertos para dedicar-se a causas sociais. A cantora tem vindo a utilizar a sua imagem para consciencializar a sociedade para temas como a educação dos mais jovens, o casamento infantil e a mutilação genital feminina. Wiyaala acredita que a sua voz pode chegar mais longe e que pode ser o exemplo para “aquelas jovens que olham à sua volta e acham que tudo é impossível”.

Foi a sua música e a dedicação a estas causas sociais que a fizeram merecer recentemente o prémio de Mulher da Década, pelos Women’s Choice Awards Africa, que reconhecem mulheres de destaque na educação, empreendedorismo, cinema e entertenimento. Para Wiyaala, este prémio “foi uma surpresa” e representa aconfirmação do seu trabalho ao longo dos últimos quinze anos. Segundo a artista, o galardão monstra “que as mulheres podem ter sucesso e contrariar preconceitos sociais e crenças religiosas” generalizadas que as colocam como menos capazes. 

A visao de Wiyaala para o futuro é continuar a fazer música sem um objetivo pré-estabelecido, já que está em constante aprendizagem. No entanto, a cantora acredita que a sua música é diferente e pode chegar ao mainstream se lhe derem oportunidades. 

Relembramos-te que a BANTUMEN disponibiliza todo o tipo de conteúdos multimédia, através de várias plataformas online. Podes ouvir os nossos podcasts através do Soundcloud, Itunes ou Spotify e as entrevistas vídeo estão disponíveis através do nosso canal de YouTube.

Podes sugerir correções ou assuntos que gostarias de ler, ver ou ouvir na BANTUMEN através do email redacao@bantumen.com.

nv-author-image

André Martins

Autor do blog de musica https://medium.com/ecletico. Português, a viver em Espanha, com um pé entre Angola e Moçambique e outro no Brasil. Estudei Produção Musical na cidade berço dos U2, Dublin, na Irlanda, mas sou viciado em quase qualquer tipo de música. Escrevo sobre cantores e bandas que se destaquem ou só porque valem a pena conhecer pelo seu trabalho ou a sua estória. Entre aulas de canto e de piano, também escrevo estórias minhas em música.