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O continente africano pode dividir-se em dois e criar um oceano no meio

Há cerca de 200 milhões de anos, de acordo com a teoria da “Deriva dos Continentes”, havia um só bloco continental: a Pangea (ou Pangeia, em português). Segundo a teoria formulada em 1915 pelo meteorologista alemão Alfred Lothar Wegener, o grande continente cercado por um único oceano, o Pantalassa, foi dividindo-se lentamente até formar os continentes como os conhecemos hoje.

Até então, estudos têm sido realizados para constatar esse facto e pode-se dizer que a posição dos continentes tem se vindo a modificar no decorrer da história da Terra.

Esse movimento dos continentes deve-se ao movimento das placas tectónicas, responsável também por abalos sísmicos e atividades vulcânicas.

Agora, em pleno século 21, os cientistas acreditam que podemos esperar um novo fenómeno. Pode levar entre cinco e dez milhões de anos, mas o continente africano ficará divido ao meio.

A segurança dessas afirmações é devido ao comportamento das placas tectónicas na região de Afar, Etiópia, no leste africano, uma paisagem rochosa onde três pedaços de crosta terrestre se encontram.

Este fenómeno geológico, nos quais África é rica, ficam numa zona conhecida como Vale do Rift, que se estende por mais de três mil quilómetros entre a Etiópia, o Quénia, a Tanzânia e parte de Moçambique, cortando o território desses países e separando-os do resto do continente.

E é aí que deverá formar-se uma nova bacia oceânica.

Um artigo publicado na revista “Geophysical Research Letters”, que envolve uma equipa internacional de cientistas, incluindo pesquisadores africanos, árabes e norte-americanos, revela que os processos que estão na origem do surgimento da fenda são quase idênticos ao que se passa no fundo dos oceanos, mais um indicador de que o futuro da região poderá encher-se de água.

“Esta fissura é o início da abertura de um novo oceano que, dentro de alguns milhões de anos, se formará entre a África Ocidental e uma nova ilha gigante, a qual se moverá em direcção ao Oceano Índico”, explica Dereje Ayalew, geólogo da Universidade de Adis Abeba.

“Ninguém, até agora, teve a hipótese de estudar o nascimento de um novo oceano. Conhecemos aqueles que já estão formados, mas nunca pudemos observar um que estivesse na sua fase primordial. Sabemos que cordilheiras submarinas são criadas por uma intrusão semelhante de magma numa fenda, mas nunca soubemos que uma enorme fracção da cordilheira poderia abrir-se de repente, como esta”, explicou Cindy Ebinger, professora norte-americana de Ciências da Terra e Ambientais e co-autora do estudo.

Os resultados desta investigação revelam ainda que, as áreas vulcânicas altamente activas ao longo das bordas das placas tectónicas oceânicas, podem de repente rachar em grandes secções, contrariando a principal teoria a este respeito que defendia que este processo seria gradual.

Esta descoberta indica ainda que estes grandes eventos repentinos em terra representam um perigo muito grave para as populações que vivem nas regiões ao redor da fenda do que dos vários eventos menores.

“O objetivo deste estudo é saber se o que está a acontecer na Etiópia é semelhante ao que está a acontecer no fundo do oceano, onde é quase impossível nós irmos”, diz Ebinger. “Sabíamos que se pudéssemos estabelecer isso, a Etiópia seria essencialmente um laboratório único e excelente de dorsais oceânicas. Por causa da colaboração transfronteiriça sem precedentes por trás desta pesquisa, agora sabemos que a resposta é sim, [o processo que está a acontecer em África] é análogo [ao do fundo dos oceanos]”.

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