Princesa Yennenga: Ancestral do povo muçulmano do Burkina Faso

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A Deutsche Welle lançou uma série intitulada “Raízes Africanas”, onde celebra a história africana, através de 25 personalidades que, vivendo em épocas diferentes, tiveram um papel marcante na história do continente africano. 

O projeto surge em resposta à elevada procura na programação da Deutsche Welle de assuntos relacionados com a História. “Os jovens africanos lamentam o facto de muitas das suas aulas de História serem ensinadas e fortemente influenciadas pelo ponto de vista europeu e de aprenderem pouco sobre os heróis e heroínas do seu continente”, explica Claus Stäcker, chefe do departamento de África da publicação.

NgungunhaneJosina MachelRainha NjingaJulius Nyerere ou Amílcar Cabral são apenas algumas das personalidades retratadas neste projeto através de vídeos, peças de rádio e artigos online.

A série “Raízes Africanas” é financiada pela Fundação alemã Gerda Henkel e realizada em parceria com historiadores africanos, contando também com o contributo de jornalistas especializados em África.

Uma vez por semana, a BANTUMEN, numa parceria com a publicação alemã, vai divulgar as 25 personalidades africanas retratadas, começando pelas mulheres, em alusão a Março Mês da Mulher.

Yennenga

A destemida Yennenga não era uma princesa comum. Tanto que se destacou como guerreira no exército do Reino de Dagomba. Yennenga continua a ser lembrada no Burkina Faso.

Nascimento: Os historiadores não parecem concordar sobre a data exata do nascimento da princesa Yennenga. No entanto, muitos acreditam que ela tenha nascido algures entre os séculos XI e XV. Yennenga era a filha favorita do rei Naba Nedega, que governou o Dagomba, onde é o atual Gana.

O que há de tão particular na princesa Yennenga?

De acordo com a tradição oral, o cavalo era o animal favorito da princesa desde a sua adolescência. Após várias tentativas, Yennenga conseguiu convencer o seu pai a deixá-la montar. Este era um privilégio reservado apenas aos homens do reino. A princesa provou então que não era só apenas uma brilhante cavaleira, mas também uma formidável guerreira, tendo combatido lado a lado com o pai em várias batalhas.

Mais tarde, e depois de várias desavenças com o pai, Yennenga fugiu na companhia do seu cavalo. Conheceu um caçador de elefantes, pelo qual se apaixonou e tiveram um filho. Deram-lhe o nome “Ouédraogo” (que significa cavalo) em homenagem ao cavalo que tornou possível esta história de amor. Os Ouédraogo são os antepassados do povo Mossi, o maior grupo étnico do Burkina Faso.

Anos depois, e com o intuito de fazer as pazes com o pai, Yennenga enviou o filho para Gambaga. No início, o Rei ficou furioso, mas depois aceitou o pedido de desculpas da filha.

Quando deixou o reino do avô, Ouédraogo recebeu muitos presentes e foi escoltado por um grupo de guerreiros até à casa dos seus pais. O príncipe e os seus guerreiros fundaram a aldeia de Morosi, local de nascimento do reino e do povo Mossi.

Ouédraogo, filho de Yennenga, foi o fundador do reino e do povo Mossi
Ouédraogo, filho de Yennenga, foi o fundador do reino e do povo Mossi

Controvérsia sobre a sua história

O momento em que Yennenga se perdeu no mato permanece enigmático – existem várias versões diferentes do que aconteceu. A mais famosa é a que alega que a princesa fugiu, porque o pai não a deixava casar. E durante a viagem terá conhecido este homem, que se tornou pai do seu filho. Algumas fontes identificam-no como um caçador de elefantes do Mali – o que poderia explicar porque é que o povo muçulmano é de origem maliense.

Legado: Entre os muitos artistas burquinenses que prestaram homenagem à princesa encontra-se Yili Nooma. Para ela, Yennenga era “uma mulher corajosa e destemida, uma amazona, uma guerreira que nós, como mulheres, admiramos.” A escolha do nome da princesa para o seu primeiro álbum foi “uma forma de dizer que somos a Yennenga de hoje”.

O legado de Yennenga está também a ser mantido vivo através do “Cavalo de Ouro de Yennenga”, o troféu da bienal do festival de cinema africano (FESPACO). A 15 quilómetros da capital, uma nova cidade verde e sustentável chamada Yennenga está a surgir, assim como o ASFA Yennenga, um clube da primeira divisão do campeonato de futebol do país. A alcunha da equipa nacional de futebol do Burkina Faso, os “Stallions” (os cavalos), é igualmente uma homenagem ao animal favorito da princesa.

O parecer científico sobre este artigo foi dado pelos historiadores Lily Mafela, Ph.D., professor Doulaye Konaté e professor Christopher Ogbogbo. O projeto “Raízes Africanas” é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

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TRABALHO DE PRETO
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