Dino D’Santiago junta NGA, Prétu Xullaji, Julinho KSD, entre outros, no Festival P, contra o Racismo

Não é de hoje que Dino D’Santiago tem usado as suas redes sociais como plataforma para denunciar ou defender causas que lhe são próximas, assim como tem recomendado músicas de intervenção, que ajudem a compreender a realidade social em que vivemos, no que toca ao racismo.

E é nessa senda que Dino D’Santiago vai estar via live streaming no Festival P, no dia 6 de março, pelas 22 horas. Consigo, o artista vai levar um leque diversificado de convidados.

Dino foi convidado pelo Público para conduzir uma festa musical online, para assinalar o 31.º aniversário do jornal. E, tendo em conta toda as recentes polémicas em volta de Mamadou Ba, um dos dirigentes da SOS Racismo, em Portugal, o artista sugeriu fazer um concerto ativista. Todo o alinhamento do evento foi desenhado pelo cantor. As receitas do concerto serão doadas à associação, no âmbito da campanha #EmCarneEOsso, em solidariedade ao ativista antirracismo Mamadou Ba, assim como o cachet do Dino e os donativos que possam ser feitos durante a transmissão do Festival P.

“O facto de querer que os valores sejam revertidos, partiu muito por pensar nos filhos do Mamadou, agora que eu sou pai. Estamos juntos na causa, por mais que tenham recolhido assinaturas para tirar o pai dessas crianças do país, não vão conseguir”, afirmou em exclusivo à BANTUMEN.

No evento vamos ouvir as canções ativistas “que fui reunindo ao longo destes 20 anos de carreira. Umas para álbuns a solo e outras para participações em outros álbuns, como é o caso de NGA e Prétu Xullaji. Trouxe também para o barco, o Julinho KSD e o Vado Mas Ki Às, que entram em dois temas ativistas deste álbum [Kriola]. Trouxe o Virgul, a Kady, que vai interpretar ‘Diz Só’, um tema feminista e de intervenção. A Isabél Zuaa para fazer um manifesto, uma introdução ao concerto. NGA também se fará presente, fizemos uma das músicas que mexeu muito comigo em 2020, ‘Por Nós’, Trouxe também Sam the Kid, quem editou o meu primeiro álbum, Eu e os Meus , em 2008. Vamos cantar juntos o tema ‘Nomeados'”.

O artista plástico Francisco Vidal juntou-se também à causa e é o responsável pelo staging, através da Maka, uma iniciativa do próprio e de Namalimba Coelho. Maka, em Kimbundu (uma das línguas faladas em Angola), refere-se a uma conversa, um assunto que causa discórdia, uma discussão com fim instrutivo, e foi nesse sentido que a palavra Maka ganhou forma de Momento x Movimento x Memória x Manifesto para um Espaço de reflexão em torno da Arte e da Kultura Afrikana.

No dia 6, durante o evento, vamos poder ver pinturas em homenagem às vítimas de racismo, descriminação e abuso policial em Portugal, como Alcindo Monteiro, Bruno Candé, Cláudia Simões e Giovani Rodrigues. De acordo com os fundadores da iniciativa, “Maka Lisboa assume-se como um espaço de expressão e reflexão, ético e estético, poético e simbólico no empoderamento da representatividade e da inclusividade, que trabalha no território da construção positiva – questionando sobre como se pode construir, elevar e dar voz e visibilidade ao legado memória das vítimas de discriminação racial, silenciosas e silenciadas, em Portugal. Maka é dedicado a todas as vítimas de injustiça e de opressão, e a todos os lutadores pela liberdade, igualdade, representatividade e verdade. Se não vês o problema, fazes parte do problema”.

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TRABALHO DE PRETO
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Wilds Gomes

Sou um tipo fora do vulgar, tal e qual o meu nome. Vivo num caos organizado entre o Ethos, Pathos e Logos - coisas que aprendi no curso de Comunicação e Jornalismo. Do Calulu de São Tomé a Cachupa de Cabo-Verde, tenho as raízes lusófonas bem vincadas. Sou tudo e um pouco, e de tudo escrevo, afinal tudo é possível quando se escreve.