Vamos matar o romance?

Vamos então.

Quando nos predispomos a um casamento, relação estável ou união de facto, devemos estar dispostos a matar o romance. Eu sei, não são boas notícias, mas são o que são.

Jordan Perterson, autor, pensador e psicólogo afirmou: “Romance is for young people” (O romance é para os jovens). Não gostei nem amei. A desconstrução do romantismo é um processo doloroso, mas necessário.

Calma não estou a dizer que teremos de abdicar de relações com afeto, companheirismo e amor. Antes pelo contrário. Falo do romantismo dos filmes, músicas, novelas de amor, que falam não de amor mas de paixão. Ora paixão e amor, embora possam parecer coisas semelhantes, não são. Funfacts descobertos por Helen Fisher, antropóloga especialista em comportamento humano e atração romântica interpessoal: sugerem que, paixão e amor tendem a ativar áreas distintas do nosso cérebro, sendo que o amor que sentimos por um parceiro amoroso estável ativa a nossa parte do cérebro, na qual estão ‘alojados ‘ todos os nossos afetos tais como os que sentimos por amigos e familiares. Já a paixão, ativa partes do nosso cérebro que se ativariam quando estamos sob o efeito de cocaína. Isso explica aquelas coisas esquisitas que nos acontecem quando estamos muitos apaixonados, tais como perda do apetite, insónias, pensamentos obsessivos e até uma ressaca básica quando rejeitados.

Vale esclarecer que o período da paixão dura, habitualmente, até dois anos de relacionamento. Querem a cereja em cima do bolo? Estas descobertas sugerem que podemos amar alguém romanticamente e, ainda assim, apaixonarmo-nos por outra. Então? Não se sentem para lá de enganados? Eu sim, maldita Disney!

Ora, tendo em conta isto, não é difícil perceber por que as relações mais longas passam por tantos desafios! Para além da bagagem emocional que cada um de nós traz da sua vida antes do encontro amoroso, deparamo-nos com expetativas irreais sobre as relações. Reparem como nos contos de fadas a história acaba no casamento e o casal segue feliz para sempre. Spoiler alert, ninguém é feliz sempre e para sempre. Portanto, seguem as pessoas todas lambonas com a expectativa de encontrar um amor perfeito, assim sei lá, de segunda a domingo, durante 40 anos, e a realidade ali atrás da porta, feita bandida com as suas contas, tarefas domésticas, empregos, filhos, animais e, agora como somos mesmo muito sortudos, uma pandemia, para dar-nos a possibilidade de contemplar ainda mais os nossos amores, amém?

Bom, se não tirarmos um tempo parar pensar sobre isto, acredito que a possibilidade de nos ressentirmos com o nosso parceiro/a que insiste em não nos entregar a prometida felicidade, é assim para lá de alta.

E o que podemos fazer? Bem filhotes, não é por sabermos um pouco sobre estes assuntos que vamos deixar de ter relações que terminam, nos magoam, frustrações e/ou desgostos amorosos. Contudo, poderá dar-nos alguma perspetiva e alento quando as relações não correm de acordo com as nossas expetativas. E, ao menos, já que não vamos deixar de fantasiar, por que não – sei lá – partilhar o roteiro com o “coleguinha” semanalmente, de forma a que ele possa atuar em conformidade? Porque também, quem mandou casar? 

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Andreia Coimbra

Na falta de representatividade, represento-me. Educadora de formação, humorista nos tempos livres e formanda em terapia familiar de coração.