“O kuduro é meu produto… registei e tudo”, disse Tony Amado

Fly Podcast | Tony Amado

A última edição do “Fly Podcast” aconteceu no sábado passado e contou com a participação do pai do kuduro, Tony Amado, que fez algumas revelações sobre o seu trajeto enquanto artista, a origem do estilo, entre outros assuntos.

Entre dicas, histórias e revelações, Tony Amado, o icónico rei do kuduro conversou pela primeira vez com Fly. O seu berço tem nome, Malanje (província angolana) e foi lá onde começou a dar os primeiros passos em todas as áreas que já passou como a vida académica em Medicina, o futebol e a música.

Depois de passar a viver em Luanda para estudar Medicina, o kudurista acabou por ser puxado pela música. Criou o kuduro e acabou por ir para para Boston, nos EUA, para gravar o seu primeiro disco, chegando até a receber uma proposta para construir uma carreira no país do rap.

O cantor disse que teve a oportunidade de cantar em “campos de batalha” com o objetivo de animar as zonas de conflito, durante a guerra civil angolana.

“Éramos alvejados no avião ao levantar voo e o avião furava. Mas naquela época éramos jovens e tínhamos vontade de ir cantar e mostrar o kuduro. A guerra parava para ir ver Tony Amado”, relembrou o kudurista.

Sobre a atitude dos outros kuduristas da nova geração que usam o seu nome para sobressair no mercado, Tony Amado reprova e enfatiza esse posicionamento de forma curiosa.

“Normalmente, quando os artistas ficam preocupados em falar da vida dos outros, encaram a carreira do outro como um pau cheio de mangas. Não dou resposta, considero-os todos meus filhos, são meus seguidores”, disparou Tony.

Sobre os supostos beefs com o também kudurista Sebem, Tony explicou que alguns foram arquitetados pelo próprio Sebem, com o intuito de causar algum “alvoroço”, naquela altura, nos programas de televisão.

Durante a sua carreira, por alguns instantes, o artista engrenou numa vertente diferente, a famosa “tarraxinha”. O artista também considera que o lançamento da música “Não Baza”, deu o surgimento de uma nova linha musical, que segundo Tony, influencia o tipo de música que se faz nos dias de hoje.

“Quando tocámos aquela música ‘Não Baza’, eu acho que abrimos uma nova linha musical, que se toca hoje”, explicou o kudurista quando se lembrava de uma conversa com produtor musical Kito Namachine.

O rei do kuduro caracteriza-se como um “património nacional angolano” e frisou que é um exemplo da juventude angolana e um dos mentores para muitos jovens artistas. “Na altura em que começaram a matar jovens por serem delinquentes, fui convidar estes jovens para serem cantores de kuduro … Eu tive de interromper a minha juventude para ajudar outros jovens”, disse Amado.

Sobre o processo criativo do estilo, Amado disse que primeiro criou a dança e posteriormente criou a música. Acrescentou também algumas explicações que giram em torno da evolução da própria escrita e falou de provas que mostram que o estilo é uma marca registada por si. “O kuduro é meu produto… Eu registei e tudo”, disse.

Apesar de todos os feitos e durante a altura que o estilo deu o “boom” no mercado, Tony Amado disse que a comunicação social começou a fazer uma “guerra” contra si e queriam apagar o seu nome da história, mas “não conseguiram”.

Num trecho da entrevista, Tony Amado relembra vários episódios de bloqueio e houve um que para si foi “a gota de água”.

“Aquilo foi a gota de água. Na minha própria província, tiraram-me do palco e disseram para não cantar”, disse o rei do kuduro quando comentava sobre o bloqueio sofrido num evento em Malanje.

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Bruno Dinis

Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.