Cubita | DR

Cubita, o sucesso de uma voz incrustada numa aliciante timidez

Com milhões de visualizações no YouTube e de plays nas plataformas de streaming, Cubita é um nome incontornável da cena musical em Portugal e nos PALOP, no que às sonoridades urbanas de origem africana diz respeito. Esse sucesso, além de ser dependente do dom vocal da artista, é também um produto de Nellson Klasszik, conhecido por lapidar talentos.

Cubita é Nádia Vasconcelos, uma jovem de ar aparentemente introvertido e que desperta em nós uma curiosidade genuína sobre a sua personalidade. De parcas palavras, a sua presença impõe-se subtilmente através do seu olhar inquisitivo e na auto-confiança que transmite. Não fosse aliás, uma das primeiras artistas da música africana a contornar estereótipos e a assumir a sua homossexualidade com naturalidade.

A artista nasceu em Portugal, tem origens angolanas e a sua primeira incursão na música aconteceu no rap, em 2009. Contudo, cedo a artista percebeu que o seu rumo teria de ser diferente e acabou por começar a fazer covers de rnb. Entretanto, participou nos programas televisivos Ídolos e Factor X mas sem singrar, o que pode, agora, ser visto como positivo, considerando o seu percurso atual sem desvirtuar a sua base artística.

No portfólio, a música mais popular, “Me Fala”, tem hoje mais de seis milhões de visualizações no YouTube e quase dois milhões de plays no Spotify.

Há um mês, a artista lançou “2AM“, single que surge depois de ter feito uma pausa profissional, além de ter participado em dois grandes êxitos dos Calema – “Te Amo” e “Allez”, no microfone e na composição. Em nome próprio, tem ainda outros sucessos como “Au Revoir” e “Uma Chance” , todos com milhões de visualizações no YouTube.

“A pausa que fiz, foi necessária e praticamente estratégica, quase de marketing. Entretanto entrou a pandemia e as coisas acabaram por estagnar. Mas a pausa foi pensada, até para que a criatividade fosse maior, assim como a criação de novos temas”, explicou-nos.

“2AM” surgiu “após algum tempo parada, mas sempre em estúdio”, e antevê um novo projeto, um EP. Este projeto, como praticamente todas as suas músicas, fala de amor. E o facto de ter o apoio de uma parceria de gigantes, entre a Universal Music Portugal e a Klasszik, permite que o seu trabalho receba um minucioso e exigente tratamento antes de ser disponibilizado para o público.

“Estava na minha vida, se bem me lembro. O Nellson [fundador da Klasszik] mandou-me mensagem nas redes sociais a pedir o meu número, ligou-me e falámos. Depois, deixámos de falar durante algum tempo e voltamos a falar novamente. Agora faço parte da equipa. A Universal surgiu depois”, disse Cubita sobre como ingressou na produtora.

Para medir a recepção dos seus trabalhos por parte dos fãs, sempre que lança um som novo, Cubita segue as estatísticas do mesmo no YouTube e o feedback que está a ter, mas dá mais atenção às redes sociais, onde existe uma maior interação como público. É ali onde sente um maior apoio, mas também onde as críticas são mais acirradas e, no fundo, é isso que a motiva a criar música após música.

Antes de lançar uma nova música, a artista preocupa-se também com o impacto que pode ter ou não. “Penso que não posso fazer menos do que aquilo que já lancei anteriormente, mas deixo que as coisas fluam, para que também essa pressão não atrapalhe o que se está a construir”.

A artista deixa-se inspirar por vários outros cantores e cantoras. De Angola, gosta principalmente de Anna Joyce e Lil Saint. Já em Portugal, na sua playlist repete-se Jimmy P e Tóy Tóy T-Rex. O hip hop, apesar fazer parte das suas gravações em estúdio, continua a fazer parte das suas composições. “Ás vezes escrevo uma cenas lá em casa”, contou entre risos.

Apesar de ser uma pessoa “muito na sua”, Cubita não esconde que há temas que têm de ser abordados. Falámos de racismo e a artista, num tom assertivo, disse-nos que “é triste ainda existir tanto e o pior é que muitos o são disfarçadamente. Nos dias que correm é triste existirem. Sou uma pessoa muito na minha, não gosto de discutir vários temas, prefiro ficar na minha, embora sinta que há coisas que têm uma necessidade de serem faladas e discutidas”.

Sobre o futuro, ficamos com a certeza de que brevemente vamos ter um novo trabalho para apreciar, com uma leve esperança que “melhores tempos virão e que possamos todos voltar à normalidade”.

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TRABALHO DE PRETO
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Wilds Gomes

Sou um tipo fora do vulgar, tal e qual o meu nome. Vivo num caos organizado entre o Ethos, Pathos e Logos - coisas que aprendi no curso de Comunicação e Jornalismo. Do Calulu de São Tomé a Cachupa de Cabo-Verde, tenho as raízes lusófonas bem vincadas. Sou tudo e um pouco, e de tudo escrevo, afinal tudo é possível quando se escreve.