Yas Werneck impõe a sua pegada na cena urbana brasileira e lança “Amanhã”

Yas Werneck é uma MC e cantora brasileira que “caiu” na música de “pára-quedas”. Quando miúda, a mãe pediu-lhe, quase exigindo, que cantasse no casamento de uma prima, mesmo que Yas nunca tivesse pegado sequer num microfone. A sua prestação acabou por impressionar e o passo seguinte foi passar um teste na igreja.

Foi ali que aprendeu as bases musicais e começou a compor. Nas suas letras, o foco é passar algo que sirva de motivação e identificação.

O seu primeiro trabalho, EP Hexagonal, teve uma música, “Coméki”, incluída na “Neymar Mixtape” para promover um dos sneakers da Nike. Agora, a artista lança um novo projeto, o single “Amanhã”, que se demarca da sonoridade habitual.

Produzida por Dree Beatmaker, “Amanhã” é um boom bap com um travo a house, com uma linha melódica de synths que trazem à tona toda a tensão da faixa, somada à saturação dos sub-graves 808 e às variações com notas altas.

A inspiração da música surgiu das incertezas que a pandemia obriga-nos a viver, com um flow melódico e cadenciado na esperança de que o “Amanã” nos traga tempos melhores.

“Eu tinha medo de morrer todos os dias por ter insuficiência pulmonar. Me agarro em uma esperança viva de ver um amanhã melhor. Essa música foi gravada fora do horário de funcionamento do estúdio, para evitar qualquer contato com outras pessoas. Era apenas eu, meu marido e o engenheiro de som”, explicou-nos Yas através de um comunicado enviado à redação.

Yas Werneck lançou o EP Hexagonal em 2016, composto por seis faixas que misturam trap, boom bap e neo soul. Yas vivencia a cultura hip hop como princípio e o reconhecimento do seu propósito com a música veio em 2017, quando foi escolhida como representante do Brasil no intercâmbio cultural “Hip Hop como agente de transformação em sua comunidade”, promovido pela ONG Next Level, nos EUA.

No mesmo ano fez parte da mixtape: “Nike Football Presents: Neymar Jr. Mixtape Music Video”, disponível no YouTube. Em 2018, foi uma das protagonistas do documentário “Na Humildade – 15 Anos Depois”, da rapper Nega Gizza, filme que reúne alguns jovens eleitos por Gizza como a nova geração do rap carioca. Além disso, apresentou-se ao lado de Emicida no festival “A Rua Cria”, no Rio de Janeiro, e é uma das protagonistas da ópera que estreou em abril do mesmo ano, “Doze Flores Amarelas”, ópera rock dos Titãs, em São Paulo.

Alcançar, construir e empoderar são as palavras que a artista carrega tatuadas no braço. Com o sorriso frouxo e postura firme de quem sabe o que quer, a cantora rompe os estereótipos do lugar da mulher negra na sociedade, atitude que vem sendo fortalecida com os conhecimentos que a cultura hip hop ofereceu-lhe ao longo dos anos.

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