Addy Boxexa | DR

Perfil no Instagram denuncia assédio e abusos sexuais e Addy Buxexa nega acusações

Há quatro dias surgiu no Instagram um perfil com o nome Enough is Enough cujo principal intuito é denunciar casos de pedofilia, assédio e predadores sexuais, através de relatos enviados pelas alegadas vítimas. A ideia não é nova, foi da mesma forma que mediatizaram-se movimentos como o #MeToo ou, mais recentemente, o francês #MeTooInceste.

A dimensão da polémica ganhou uma nova proporção quando um dos casos expostos envolveu o nome de Addy Buxexa, um dos rappers mais populares da TRX. O relato indica que o rapper tentou coagir a alegada vítima, com 15 anos na altura, a partilhar fotos íntimas através do SnapChat e a sair com o artista. Embora tenha, aparentemente, enviado as imagens solicitadas, a jovem acabou por não aceder ao segundo pedido. A partir daí, o relato divulgado pelo Enough is Enough indica que a jovem começou a receber ameaças. “Alguém mandou-me mensagens através do WhatsApp a ameaçar-me e a dizer que sabiam onde eu estudava e que iam fazer-me mal a partir desse momento. Eu desbloqueei-o e tive que fazer videochamadas a fazer o que ele mandava. Só depois de dois meses a fazer o que ele mandava é que o Addy desapareceu e eu simplesmente apaguei o meu Instagram e troquei de número”, podemos ler na publicação que revela prints das supostas conversas tidas com o artista.

O post rapidamente começou a circular nas redes sociais e sobretudo no Twitter. Addy chegou a fazer um direto no Instagram mas o jeito trocista e leviano com que lidou com o assunto acabou por espalhar ainda mais a polémica.

Depois de algum tempo inactivo, o rapper acabou por divulgar uma nota nas suas redes sociais negando qualquer acusação. “Começo por dizer que sou humano, tenho defeitos e qualidades como qualquer um de vocês. Nunca fui perfeito, já cometi erros (…). Sempre fui mais emoção do que razão e tenho pago o preço disso. Sou consciente de que muitas vezes os meus exemplos não são os melhores e nos últimos anos tenho-me esforçado muito para mudar isso”.

Sobre o live no Instagram, o artista indica ter sentido a necessidade de reagir às graves acusações. “Tenho sido atacado e difamado infinitamente nos últimos dias e foi nessa perspectiva que fiz, sem pensar e sem consultar nenhuma das equipas com quem trabalho, um live infeliz. Assuntos sérios devem ser tratados com seriedade e deixei transportar a leveza e diversão que me caracterizam para um assunto que nada tem de leve ou divertido. Peço a todos as minhas mais sinceras desculpas.”

Especificamente sobre as acusações, Addy foi assertivo: “Não violei ninguém, não abusei sexualmente e não assediei menores. Peço a quem tenha alguma queixa a apresentar contra mim, se dirija às autoridades competentes, apresente queixa formal e permita, assim, que o processo possa ser alvo de investigação.
Apelo também a todos os que acreditam, incentivam e partilham as alegadas mensagens a terem consciência que “Fake News”, embora ainda sem legislação criminal, é moralmente condenável. Tenho a minha consciência tranquila e consciente do que fiz e não fiz e preocupa-me que haja um assunto tão sério a ser banalizado em prol de um ataque pessoal.”

A BANTUMEN chegou a conversar com uma pessoa próxima da vítima, que transmitiu as nossas questões e as devidas respostas. Ambas pretendem manter o anonimato por medo de retaliações e corroboram a versão divulgada pelo perfil Enough is Enough.

“Eu divulguei agora o caso porque, pela primeira vez em Angola, a mulher está a expor esses tipos de situações e a pessoa que praticou o crime não está a ser defendida, e as pessoas estão a parar de normalizar o anormal e por isso aproveitei expor o acontecido.”

De acordo com o indicado, o caso aconteceu há dois anos e a jovem terá confessado aos pais o sucedido. “Eles disseram-me para evitar levar a situação avante pelo facto dele ter dito que já matou, por ser supostamente filho de figuras de destaque no país (familiares no governo) e por ainda ele pertencer ao tal grupo Trx, por essas razões os meus pais aconselharam-me a evitar [denunciar o caso às autoridades].

Questionamos sobre a necessidade de apresentar queixa junto das entidades competentes para investigar o caso, mas a jovem indica que só expôs a situação para que “outras raparigas tenham precauções com as figuras públicas angolanas e para motivar outras vítimas a citarem mais agressores”. A jovem sublinhou que pretende manter o anonimato e dar continuidade à “normalidade” que vive até hoje.

Nota da redação: Se és vítima ou conheces alguma vítima, o melhor a fazer para travar o abuso é reportá-lo às autoridades competentes. A pessoa que contacta as autoridades não tem de apresentar provas – basta referir que suspeita que a situação está a acontecer e dar o maior número de elementos que souber: nomes, moradas, escola que a vítima frequenta, números de telefone, quando e onde a situação aconteceu, entre outros aspetos.

nv-author-image

Vanessa Sanches

Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.