Pauline Duarte | DR

Pauline Duarte, cabo-verdiana na lista das 50 mulheres mais importantes da música mundial

Pauline Duarte nasceu em França, é filha de cabo-verdianos, e um dos nomes que integra a lista das 50 mulheres mais influentes no mundo da música, editada pela revista norte-americana Variety.

Duarte, 39 anos, tem um percurso irrepreensível nos meandros da música urbana, sobretudo o hip hip, que culmina agora com o facto de ser a primeira mulher negra a dirigir uma label de rap em França, a Epic Records.

Tudo começou em Sarcelles, um subúrbio na periferia de Paris. Entre o emprego na construção civil do pai e as horas extra da mãe como empregada de limpezas, Pauline cresceu com o irmão mais velho a assumir a responsabilidade de cuidar da fratria de quatro irmãos, durante a ausência dos pais. Esse irmão é Stomy Bugsy, célebre rapper e um dos fundadores dos Ministère A.M.E.R. e La MC Malcriado, coletivo de cantores de origens cabo-verdianas que surgiu no fim dos anos 90′ em França. Com ele, Pauline descobriu o rap. Das ruas, onde Stomy forjou a base da sua carreira, aos concertos de lotação esgotada, foi ao lado do irmão que a jovem percebeu que os bastidores da indústria da música seriam o motor da sua vida.

Depois de uma licenciatura em Comunicação, Pauline inscreveu-se para uma formação de dois anos no Instituto das Profissões da Música, mas acabou apenas por completar o primeiro ano. Conseguiu um estágio na Columbia, propriedade da Sony Entertainment, que acabou com uma oferta de emprego. Dois anos depois, a sua perseverança e astúcia levaram-na a ser promovida a chefe de projeto. Entretanto, chegou a directora local da Def Jam, onde exibia no seu escritório vários álbuns certificados Ouro, incluindo de Beyoncé, de quem se ocupou do marketing em França durante seis anos.

A questão que possivelmente mais lhe é colocada nas poucas entrevistas que vai dando repousa sobre o facto de o movimento hip hop ser um meio misógino. Pauline é direta e explica que não é um meio mais machista que qualquer outro. “É um sistema, toda a nossa sociedade é misógina”, explicou ao Street Press. E é por isso mesmo que explica que, enquanto mulher, tem de trabalhar duas vezes mais. E apesar de não ser dada a aparições na imprensa, começou a aceitar propostas de entrevistas exactamente para motivar outras mulheres que querem seguir os seus passos, seja à frente ou atrás dos microfones.

Existem muitas, mas não as vemos. Elas são discretas! Por isso decidi agora fazer algumas entrevistas. Tenho uma entrevista de perfil que saiu, recebi tanto feedback de meninas, irmãzinhas… É muito bom! Não hesitem! [o hip hop] Não é mais machista do que em qualquer outro lugar. Devemos lutar como em todos os estratos desta sociedade. Na música e no Rap é a mesma coisa. Há muitas miúdas! Temos de as destacar porque, além disso, são sempre as mesmas caras que chamamos. Chega”, exclamou ao site Les Meufs du Game.

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TRABALHO DE PRETO
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Vanessa Sanches

Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.