Sarah Maldoror numa edição da Berlinale | DR

Carreira de Sarah Maldoror em retrospetiva no IndieLisboa, com Guiné-Bissau e Cabo Verde em destaque

A carreira da francesa Sarah Maldoror, pioneira cineasta pan-africanista, falecida em 2020, vai estar em retrospetiva na edição de 2021 do IndieLisboa, com a exibição de três filmes que colocam Cabo Verde e Guiné Bissau em destaque: Fogo, L’Île de FeuUn Carnaval dans le Sahel e A Bissau, le Carnaval. A sessão de antevisão especial acontece a 30 de abril, na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa.

Nesta sessão será apresentada a programação da retrospectiva da cineasta, uma co-programação do IndieLisboa e da Cinemateca Portuguesa, que decorrerá durante a 18ª edição do IndieLisboa de 21 de agosto a 6 de setembro.

A exibição surge também em comemoração da reabertura das salas de cinema em Portugal e para marcar a semana que seria a de início do festival, antes do seu reagendamento. As três curtas metragens em exibição foram filmadas em Cabo Verde e na Guiné-Bissau, na transição para os anos oitenta. Nelas e através delas, Sarah Maldoror explora o significado de uma identidade africana, a sua história e cultura através das festas e manifestações populares, conferindo grande destaque ao Carnaval.

Como no último destes filmes afirma Luís Cabral, “foi a capacidade de resistência cultural do nosso povo que nos deu a força necessária para conduzir a resistência política e militar”. O papel essencial da cultura é assim revelado pela força e beleza das máscaras e pela música e dança que as acompanham, como o será em toda a posterior obra de Sarah Maldoror, que poderá ser vista durante o festival. A sessão terá lugar na sexta-feira, 30 de abril, às 19 horas, na Sala M. Félix Ribeiro, na Cinemateca Portuguesa. Os bilhetes podem ser adquiridos através da bilheteira da Cinemateca.

Moldoror faleceu aos 91 anos, a 13 de abril de 2020, vítima de complicações de saúde devido à covid-19, em França. Poeta e cineasta, a artista foi pioneira na transposição da luta dos movimentos negros para o cinema, com especial incidência na luta de libertação de Angola, Cabo Verde, e Guiné-Bissau.

Uma das suas obras mais emblemáticas foi “Sambizanga“, longa metragem que retratava em 1972 a guerra pela libertação de Angola, uma adaptação da obra de José Luandino Vieira “A Vida Verdadeira de Domingos Xavier“.

O drama político tem por base o início da guerra pela independência, em 1961, com financiamento francês, e foi na altura seleccionado para a Quinzena dos realizadores de Cannes, à revelia do governo colonial de Lisboa.

O seu percurso pessoal e profissional passou pela relação que manteve com Mário Pinto de Andrade, poeta e político angolano, fundador e primeiro presidente do MPLA, Movimento popular de libertação de Angola, com o qual teve duas filhas.

Em 1970, Sarah Maldoror lançou Des fusils pour Banta, que retrata a luta de libertação da Guiné-Bissau, onde em 1980 lançou também Carnaval na Guiné-Bissau.

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