Nelson Freitas | DR

“Quero ser recordado como a Cesária Évora”, Nelson Freitas no BANTUMENPodcast

Se o início deste artigo fosse uma música, provavelmente seria “Bo É Nha Melodia”, do álbum Magic de Nelson Freitas, remetendo-nos ao ano de 2006, altura em que o artista lançou o seu primeiro disco a solo. Altura também em que a Kizomba se mostrava dona de si e marcava o seu lugar no mercado músical à volta do mundo, e sobretudo em Portugal.

Nelson Freitas deu os seus primeiros passos na música nos anos ’90 com o grupo os Quatro (IV), composto originalmente por Nilton Ramalho, Nelson Oliveira e Adilson Ben David. Em 1998, o grupo lançou o seu primeiro álbum, intitulado 4 Vôz, seguido de Bem Consché (2002), e viu entrar mais um elemento no grupo, Edson Freitas, irmão de Nelson. O conjunto passou assim a chamar-se Quatro Plus. Em 2004 lançaram aquele que viria a ser o último álbum do quinteto, o Último Viagem, com todas as músicas a viajarem pelo ghetto zouk.

Nelson nasceu na Holanda e as suas origens são cabo-verdianas. A música que faz é fruto dessa mistura e das suas experiências de vida. Já passaram mais de 20 anos desde que deu início à sua carreira, mas ainda assim continua a fazer música como se tudo dependesse dela. Tem uma ética de trabalho única, leu livros sobre e como criar músicas intemporais que se tornassem hits, estuda o que canta e como o vai fazer mas é com a nova geração de artistas que ultimamente tem aprendido e, de alguma forma, se inspirado.

A música faz parte de si desde que se lembra, dorme e acorda sempre com uma canção na cabeça. A pesquisa é constante, seja de novas sonoridades, novos talentos, sobre o porquê das coisas funcionarem como funcionam ou o porquê de algumas músicas serem hits e outras não. Não se contenta com pouco, musicalmente falando, procura estar sempre a par de tudo.

Mesmo depois de terminar um álbum, Mr. Magic continua a fazer música. Passa muito tempo no estúdio, prefere criar do que passear ou estar distraído com séries e filmes. “Prefiro fazer música do que estar a ver Netflix ou passear em centros comerciais. Isso não me vai trazer nada no futuro, essa é a minha mentalidade”, explica-nos.

Aquilo que sai para o público é fruto de um trabalho detalhista, porque o objetivo maior de Nelson é que os seus fãs sintam a música da mesma forma que o artista a sentiu enquanto a produzia. Há uma necessidade constante de transpor para a música o seu feeling, vibe e emoção para que o público possa sentir a música de forma genuína.

Dessa inevitabilidade nasceu o singleDpos D’ Quarentena” – disco de ouro em Portugal – que deu nome ao novo álbum do artista lançado no mês passado. É um disco que emana positivismo. “Quero que daqui a dez anos, quando pensarem no Coronavirus, no confinamento e na quarentena, que as pessoas pensem também que ‘foi esse álbum que me ajudou nessa altura'”.

Nelson já foi considerado o embaixador da Kizomba pelo mundo fora e um dos principais responsáveis pela transformação do género numa das bandas sonoras de Portugal. Algo do qual quer desassociar-se. O artista não quer ser catalogado por trabalhar apenas um género musical, mas ser conhecido por conseguir fluir entre uma mistura de sonoridades.

Na sua lista de inspirações encontramos Pharrel Williams, Jay Z e Cesária Évora, seja pela vertente musical ou pelo hustle, e é o carinho e respeito que o público em geral tem pelo percurso da diva dos pés descalços, a nível mundial, que fazem Nelson trabalhar para criar uma espécie de imortalidade do seu nome na indústria.

Neste episódio da BANTUMENPodcast falámos com Nelson Freitas sobre tudo e mais alguma coisa, desde o seu percurso musical, o que o inspira e motiva, seja na sua vida profissional ou pessoal, e ainda sobre como quer ser recordado na posteridade. Faz play abaixo para ouvir o podcast completo.

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TRABALHO DE PRETO
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Wilds Gomes

Sou um tipo fora do vulgar, tal e qual o meu nome. Vivo num caos organizado entre o Ethos, Pathos e Logos - coisas que aprendi no curso de Comunicação e Jornalismo. Do Calulu de São Tomé a Cachupa de Cabo-Verde, tenho as raízes lusófonas bem vincadas. Sou tudo e um pouco, e de tudo escrevo, afinal tudo é possível quando se escreve.