Aurora Coxi, 30 anos, e os três filhos | ©José Sarmento Matos
Aurora Coxi, 30 anos, e os filhos, durante o confinamento | © José Sarmento Lopes

Projeto sobre Bairro da Jamaica escolhido pela National Geographic Society

O projeto Jamaika, do fotojornalista José Sarmento Matos, em colaboração com moradores do bairro e o músico Kid Robinn, foi um dos trabalhos selecionados pela National Geographic Society para ser apoiado pelo Fundo de Emergência COVID-19 para Jornalistas.

No epicentro desse projeto está o Bairro da Jamaica, onde pessoas segregadas estão condicionadas a um contexto de precariedade habitacional e social. Ocupado sobretudo por pessoas de origem e descendência africana e de etnia cigana, o Bairro da Jamaica é constituído maioritariamente por prédios inacabados, que servem de lar a centenas de famílias.

“Como fotógrafo documental e jornalista, decidi abordar este projeto de uma forma mais imersiva, não só para compreender melhor a realidade, mas também para expor à audiência uma perspetiva menos tradicional e mais íntima do que é viver num bairro como o Jamaica”, explica o fotojornalista citado pelo site da National Geographic. 

José Sarmento Matos retratou neste projeto as condições desumanas em que os moradores da Jamaica vivem. “É um cenário dramático, com pouca ou nenhuma luz nas zonas comuns do prédio, em que chove dentro de algumas casas, onde o espaço já era demasiado apertado antes dos períodos de confinamento. Foi esta a causa que José Sarmento Matos elegeu documentar durante a pandemia, projeto financiado pela bolsa que recebeu do Fundo de Emergência COVID-19 para Jornalistas da National Geographic Society”, podemos ler na mesma publicação.

Foram os próprios moradores que, armados de câmaras de filmar, vestiram a pele de repórteres para registar a vivência e convivência no local. Kid Robinn, rapper de quem já falámos várias vezes por aqui, é o ator da música que serve de banda sonora para o filme.

“Tive também a colaboração de um rapper local, Kid Robinn (22 anos), nascido e criado no bairro, que escreveu uma música / poema contextualizando a sua história de vida – desde que nasceu até à atual pandemia (a canção “perspetiva” faz parte do filme)”, disse Sarmento Matos.

Além do documentário, o fotojornalista indexou ao projeto uma coleção de retratos dos residentes, um ensaio fotográfico e uma exposição no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (Lisboa).

Existe um programa local do governo que tem previsto realojar os residentes do bairro até 2022, mas apenas um dos edifícios foi realojado até agora. Quezílias e um processo em tribunal contribuem para o atraso do processo. Cerca de 700 pessoas aguardam realojamento.

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