Entre os Ritmos… houve Xperança com Mynda, Firmeza e João Grilo

Uma vez, o artista NBC disse que “se a música nos une, nada nos separa”. A prova disso aconteceu no final da tarde desta quinta-feira, no concerto Ritmos de Xperança, evento que juntou três artistas de áreas musicais completamente diferentes mas num todo, que fez sentido. O Teatro do Bairro Alto, em Lisboa, foi o local escolhido para encontro musical, pós-confinamento. 

A sala estava organizada de acordo com as regras impostas pela Direção Geral de Saúde. De máscaras no rosto e alguma distância entre cada um, os convidados deram liberdade às palmas que procediam cada atuação.

No relógio batiam exatamente 19 horas quando João Grilo, entrou e sentou-se em frente ao seu piano. Começou a tocar as primeiras melodias nas teclas, e o que se ouvia não era, provavelmente o esperado de um pianista. Era uma harmoniosa mistura improvisada de Jazz, Rap, Kuduro que, surpreendentemente casavam bem entre si, não fosse também o seu trabalho em vários géneros musicais, influenciado pela música clássica contemporânea e a música eletrónica.

João Grilo / Foto: Vera Marmelo (TBA)
João Grilo / Foto: Vera Marmelo (TBA)

“Gosto muito de improvisar. Sabes, antes disto tudo, passei um mês a ouvir os discos do Firmeza e os sons da Mynda e comecei a tocar por cima e depois cheguei aqui e foi isto. As coisas sairam naturalmente, foram fluindo e eles até davam indicações do que ficava melhor num som do que no outro e o que mais gostavam. E hoje foi bué natural, porque os três tínhamos alguma coisa para dizer e um amor para dar. Isso é o principal e a coisa funciona”, explicou João à BANTUMEN.

Quinze minutos depois, entrou em palco Firmeza, um dos nomes mais chamados na noite africana da Grande Lisboa e presença assídua nas festas mensais Noite Príncipe, no MusicBox. O DJ deu assim continuidade àquela que parecia uma festa de quintal entre familiares, num domingo de tarde, injectando nos nossos ouvidos ora BPMs lentos ora acelerados, com um simétrico laivo sonoro proveniente do piano de Grilo.

“Foi uma boa experiência. Acredito que todos tenhamos gostado. E acredito também que estejamos a levar algo muito grande para casa, resultado desse bom trabalho, comunicação, junção e dinâmica. O que tivemos aqui vai ficar”, explicou-nos DJ Firmeza, após a sua atuação.

DJ Firmeza / Foto: Vera Marmelo (TBA)
DJ Firmeza / Foto: Vera Marmelo (TBA)

Quanto a Mynda, mal entrou em palco roubou toda a atenção para a sua voz. Começou a sua atuação com um falsete, num registo vocal mais agudo que a do que estamos acostumados a ouvir da artista. Poderíamos dizer que é a afirmação da sua versatilidade que, aliada à sua vontade revolucionária, poderá resultar numa nova versão artística de Mynda Guevara.

Do palco ouviu-se “Bu Silêncio”, “Ken Ki Fla”, entre outras músicas mas enquanto ia dado as suas rimas, não se esquecia do público: pedia palmas, para cantarem com ela ou que entoassem sons. 

“Isto foi um convite que nos foi feito pelo Yaw, em que o objetivo da nossa junção era criar um espetáculo de uma hora em que tivéssemos os três estilos juntos. Fizemos os ensaios, partilhámos ideias, reformulámos os beats e adaptámos as minhas letras aos novos beats e remakes. E resultado foi o que se viu hoje, eles [João Grilo e DJ Firmeza] fizeram tudo brilhar. Senti-me muito bem com o convite e tudo o que aconteceu. Primeiro estranhei essa mistura, entre eu o João e Firmeza, mas deu muito certo”, disse a artista Mynda Guevara.

Mynda Guevara / Foto: Vera Marmelo (TBA)
Mynda Guevara / Foto: Vera Marmelo (TBA)

Entretanto, saíram todos do palco, ficou apenas o DJ Firmeza: para quem nunca frequentou uma das festas de noite de Principe, no dia 6 de maio, fez-se festa no mesmo nível.

Mynda saiu e voltou a entrar no palco para rimar pela última vez. Ao terminar, fez questão de apresentar os nomes dos que estavam em palco, de punho cerrado. Pediu que o público fizesse o mesmo, com o punho no ar, todos gritaram o nome de cada artista. “Obrigado por estarem aqui, temos uma mensagem e esperemos que tenha chegado até vocês. Tudo isto, foram os nosso Ritmos de Xperança”, ouvimos no encerramento do espetáculo.

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BANTULOJA
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Wilds Gomes

Sou um tipo fora do vulgar, tal e qual o meu nome. Vivo num caos organizado entre o Ethos, Pathos e Logos - coisas que aprendi no curso de Comunicação e Jornalismo. Do Calulu de São Tomé a Cachupa de Cabo-Verde, tenho as raízes lusófonas bem vincadas. Sou tudo e um pouco, e de tudo escrevo, afinal tudo é possível quando se escreve.