OPPY

A partir da Índia, Oppy fala-nos de assuntos sociais angolanos em “Martírio”

Oppy, rapper angolano que reside na Índia, acaba de lançar o seu EP Martírio. O material tem como base o atual cenário social que se vive em Angola e já está nas plataformas digitais.

Caracterizado como “um material maduro, crítico e destemido” pelo próprio artista, Martírio tem na sua base assuntos de importância social, cívica e política em Angola. A má governação, a pobreza e a escravidão são os temas em destaque. “A ideia é ser a voz dos oprimidos”, disse-nos Oppy.

Com este novo projeto, o rapper quer passar mensagens que sirvam de gatilho para mudança de mentalidades. “Promovo o amor, paz, desenvolvimento pessoal, partilho todas as minhas vivências e perspetivas de vida”, explicou.

Oppy é o nome artístico de Osmar Pessela, um rapper que também tem uma vida promissora no mundo do empreendedorismo, através de uma startup ligada ao ramo da tecnologia.

Oppy nasceu no Huambo mas cresceu em Luanda, no bairro do Rangel. O movimento hip hop foi-lhe apresentado através dos seus primos, mas foi a violência que que via acontecer no seu bairro que o empurrou para “cuspir” no microfone.

Aos 13 anos, o rapper começou a participar em eventos e encontros de freestyle e rompimento, de forma a expressar-se, testar-se, evoluir e partilhar as suas vivências e perspetivas de vida.

A sua primeira música foi gravada na sua terra natal, no Huambo, e nasceu de forma espontânea. Tudo começou quando reproduziu o instrumental de “Hustle Hard”, do rapper Ace Hood, e juntou-se ao companheiro e primo Mário K e a mais dois rappers amigos para criar o a obra.

Aos 17 anos, decidiu ir viver para a Índia com o objetivo de terminar a sua formação superior na área de Ciências de Computação. O artista confessou que sempre quis estudar naquele país por ser um dos mais indicados para se estudar esta área e, por mérito, ganhou uma bolsa e aceitou o desafio para começar uma nova vida longe de Angola. Entretanto, Oppy encontrou inúmeras dificuldades como a gastronomia e fuso horário diferentes, além de questões raciais.

“A alimentação foi a primeira dificuldade, aliás continua a ser porque a comida indiana é feita com muito picante. Por outro lado, vejo que aqui a vida é muito mais dinâmica também e tive que seguir o mesmo barco”, disse.

“Tive problemas também com questão raciais. Quando cheguei cá muita gente me parava na rua para tirar fotograficas comigo, parece normal mas não é. As pessoas aqui fazem isso com o intuito de gozo”, acrescentou.

Desde que começou a dropar, Oppy já colaborou com artistas como Phedilson Ananás e já participou em dois EPs em grupo. A solo, destacam-se as duas mixtapes Onírico e 20 Anos.

Dentro do mercado angolano, Oppy disse que gostaria de trabalhar com CFK, por sentir muito o seu tipo de rap; Fly Skuad por ser um dos seus guias na altura que fazia freestyle, e Dji Tafinha, que considera um bom produtor musical.

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BANTULOJA
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Bruno Dinis

Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.