Fomos ver “In Memory We Trust” de René Tavares, em Lisboa

A BANTUMEN foi ver a exposição In Memory We Trust do artista plástico santomense René Tavares, que teve lugar no novo espaço da galeria This Is Not a White Cube, no Chiado, em Lisboa.

A casa estava bem composta para celebrar cinco anos de This Is Not a White Cube e o novo espaço da galeria lisboeta, inaugurada com a arte de René, que marcava presença desde a porta. Nos primeiros quadros liam-se “Memória” e “Atlantic Nation”, pintados como se estivessem a fazer uma afirmação de si mesmos, de que estão presentes e imortalizados pelas mãos do criador de Tchiloli Unlimited.

O processo criativo de René está em constante ebulição, mesmo em período de pandemia. “Tentámos aqui reunir ideias ou projectos que não aconteceram. Isto é um acumular de vários trabalhos e que estão agora a ser expostos, fala de questões de memória, da miscigenação e toda esta preocupação que parte do património, que eu tenho estado a investigar desde o inicio do meu processo”, explicou-nos Réne.

A arte de René é muito própria, traduz em traços, linhas e manchas, uma síntese pessoal da sua própria identidade, sempre num processo inacabável. Artisticamente falando, o seu interesse é aprofundar a permeabilidade das fronteiras entre histórias, memórias, linguagens e técnicas, buscando compartilhar esse caminho exploratório, o artista estabelece um processo multilinguagem tendo como parâmetro as suas necessidades expressivas.

O artista não se deixa ficar apenas pela pintura, usa diferentes meios de expressão, como o desenho, a fotografia, o vídeo, ou a performance, dependendo da ideia e mensagem que pretenda passar. A sua arte pode ser considerada um “trabalho em constante progresso”, que reflete sobre a sua própria experiência das passagens, dos espaços limiares entre as várias linguagens artísticas, entre a África e a Europa, entre o local e o global.

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BANTULOJA
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Wilds Gomes

Sou um tipo fora do vulgar, tal e qual o meu nome. Vivo num caos organizado entre o Ethos, Pathos e Logos - coisas que aprendi no curso de Comunicação e Jornalismo. Do Calulu de São Tomé a Cachupa de Cabo-Verde, tenho as raízes lusófonas bem vincadas. Sou tudo e um pouco, e de tudo escrevo, afinal tudo é possível quando se escreve.