Paulo Flores | DR

Depois de esgotar o Coliseu, Paulo Flores lança “Heróis da Foto”

Após ter esgotado o Coliseu dos Recreios na passada semana, Paulo Flores lança agora um novo single, “Heróis da Foto” – com o respetivo videoclipe – que faz parte do recentemente lançado novo álbum “Independência”.

“Heróis da Foto” sucede a “Jeito Alegre de Chorar”, lançado aquando da edição do álbum no fim do mês passado.

Paulo Flores é hoje um dos maiores nomes da música popular de Angola, embaixador do semba no mundo e nome respeitado por várias gerações de músicos, graças aos vários trunfos que colecionou ao longo de mais de 30 anos de carreira. Da sua voz de ouro solta-se outra perspetiva de uma língua que é muito mais vasta do que por vezes se admite. Por essa voz passa outra perspetiva da própria História de Angola, talvez não a dos livros mas a História que se faz das pessoas que na rua não esqueceram as suas memórias, carregando-as em tudo o que fazem. Paulo Flores é a voz dessa História e desse povo.

Paulo Flores entregou assim a sua voz à celebração da Independência de Angola, cujo 45.º aniversário foi assinalado a 11 de novembro 2020, data que inspira a canção “Amanhã (11 de novembro)”. Esse foi o mote do espetáculo no Coliseu de Lisboa no passado dia 21 de maio, uma ocasião especial em que o cantor apresentou o seu novo trabalho.

Com cerca de duas dezenas de títulos numa das mais celebradas discografias de Angola, o novo trabalho que inspira esta apresentação ao vivo é especial. As canções de Flores falam uma verdade que toca fundo no coração de todo um povo, que carregam alguma saudade mas também traduzem visões para o futuro, que exaltam a liberdade e a fraternidade, a harmonia, sempre com um balanço próprio, puramente angolano, mas que sabe acercar-se da canção tropical brasileira ou até da dolência do fado.

Em palco, acompanhado por uma banda de músicos de topo, incluindo o seu fiel colaborador Manecas Costa, um dos expoentes musicais da Guiné Bissau com quem Flores reparte a belíssima “Si Bu Sta Dianti da Luta”, o músico deu um espetáculo de fundas emoções, de verdades e memórias, de mensagens importantes, de dança e de contemplação, exibindo, como diz outra canção, um “Jeito Alegre de Chorar”.

Houve igualmente espaço para convidados especiais: Yuri da Cunha, verdadeira estrela da Angola moderna, que cantou com Paulo a fantástica “Njila ia Dikanga”, um retrato de uma Angola que muita gente conhece e que importa cantar, girando o mundo e a poeira, como refere o verso, fazendo a ponte entre os mundos urbano e rural, numa espécie de relato de uma viagem que aponta, uma vez mais, às origens. Prodígio, membro do coletivo Força Suprema e uma das referências máximas do rap em Angola, foi o outro convidado especial deste concerto. Juntos, Paulo Flores e Prodígio editaram em 2020 o muito especial ‘A Benção e a Maldição’, prova de que a obra deste artista que expõe uma forma tão particular e imaginativa de usar a poesia, é uma inspiração incontornável para quem em Angola e na restante África lusófona pega nas palavras para fazer arte.

No passado dia 21 de Maio, festejou-se esta Independência, que é um marco na História de Angola mas também uma palavra que define bem o próprio coração de Paulo Flores, o homem que na canção “Esse País” canta “não vou falar política, nem vou formar partido, mas tenho que dizer, tenho que dizer, esse país está bom”.

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