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Alemanha rejeita pedidos de reparações por genocídio na Namíbia

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A Alemanha rejeitou hoje os pedidos de reparação da Namíbia pelos massacres de herero e nama durante a era colonial, sublinhando que a ajuda proposta de 1,1 mil milhões de euros seria paga numa “base voluntária”.

“Somos da opinião que o texto que rubricámos representa uma boa base para encerrar finalmente estas negociações”, iniciadas em 2015, afirmou esta quarta-feira (09.06) o ministro dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, perante o ‘Bundestag’, a câmara baixa do Parlamento alemão, citado pela agência France-Presse.

O acordo, apresentado em maio, foi alvo de críticas na Namíbia, com os próprios dirigentes do país a considerarem que a compensação negociada era “insuficiente“.

“O acordo é feito exclusivamente numa base voluntária e não existe base legal para o pagamento” proposto pela Alemanha, acrescentou o governante. “A este respeito, não é comparável a reparações”, insistiu Maas, reafirmando que a proposta financeira é “apropriada” aos olhos de Berlim.

No texto aprovado em maio com as autoridades namibianas, a Alemanha prometeu 1,1 mil milhões de euros em ajuda ao desenvolvimento ao longo de 30 anos para beneficiar os descendentes das duas tribos. O montante será utilizado para a aquisição de terrenos, construção de estradas rurais, abastecimento de água e saneamento.

Nos termos do acordo, que deverá ser aprovado pelos respetivos Parlamentos dos dois países, a Alemanha fará também um pedido oficial de desculpas pelo genocídio, considerado pelos historiadores como o primeiro do século XX.

Genocídio na era colonial

Os historiadores estimam que as tropas do imperador Guilherme II tenham massacrado cerca de 65.000 herero (de um total de 80.000) e 10.000 nama (de um total de 20.000) entre 1904 e 1908, depois de estes se revoltarem contra o domínio colonial alemão.

O plano de exterminação sistemática de homens, mulheres e crianças, através de armas, do abandono no deserto ou do internamento em campos de concentração, prefigurou outras limpezas étnicas realizadas ao longo do século XX.

Após mais de cinco anos de amargas negociações, a Alemanha reconheceu em maio que tinha cometido um “genocídio” naquele território da África Austral, que colonizou entre 1884 e 1915.

Privadas das suas terras e do seu gado, as tribos herero (40% da população namibiana na altura, contra 7% atualmente) revoltaram-se em 1904 contra os colonos alemães, fazendo uma centena de mortes entre estes últimos.

Enviado para reprimir a rebelião, o general alemão Lothar von Trotha ordenou o extermínio dos herero. Os namas também se revoltaram um ano mais tarde e sofreram o mesmo destino.

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