G7 2021 - ©Ludovic MARIN AFP
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Joyce Pinto explica-nos o que é, para que serve e o que ficou acordado na última cimeira do G7

O G7, ou Group of Seven, é um grupo político intergovernamental composto pela Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, unidos sob os valores do pluralismo e de governos representativos.

Estes países representam algumas das economias mais influentes do planeta e tiveram na última semana a sua Cimeira .nº 47, em Cornwall, no Reino Unido. 

Estiveram presentes os líderes dos países membros, representantes da União Europeia, além de outros líderes governamentais. A seguir, os factos mais interessantes dos três dias:

  • Foi uma cimeira cheia de primeiros momentos: foi a primeira dos líderes da Itália, Japão e Estados Unidos (Mario Draghi, Yoshihide Suga e Joe Biden respetivamente), e a primeira em que o presidente sul-coreano foi convidado (no momento, Moon Jae-in)
  • Foi a última cimeira com Angela Merkel como chanceler alemã.
  • O líder sul-africano foi o único do continente a ser convidado: além deste, foram convidados também os líderes da Austrália e Índia. 
  • Sob o sloganBuild Back Better” (Reconstruir Melhor), o objectivo é mostrar que a cooperação internacional está “de volta”: depois da instabilidade trazida pela pandemia (que impediu a realização da cimeira em 2020) e por Donald Trump (famoso pelas suas tendências isolacionistas).
  • O grupo comprometeu-se a doar um bilhão de doses da vacina contra a Covid-19 para países pobres: metade deste número vêm dos Estados Unidos, 100 milhões do Reino Unido e algumas pelo programa COVAX (iniciativa da Organização Mundial de Saúde).
  • Discutiu-se também a Missão de 100 dias: aqui os líderes procuram estabelecer como meta futura, o objetivo ambicioso de ter diagnósticos, tratamentos e vacinas seguras em pelo menos 100 dias e de ser identificado o perigo de futuras pandemias. 
  • Mudanças climáticas: como sempre foi um assunto importante, recebeu promessas de acção – como o compromisso de diminuir as emissões em pelo menos metade até 2030, aumentar o número e qualidade do financiamento para questões climáticas e maiores proteções à vida aquática e florestal. 
  • Melhor fiscalização de corporações foi colocada no centro: em seguimento de decisão generalizada de ministros das finanças no sentido de estabelecer uma taxa mínima de 15% para evitar que as maiores corporações mundiais se refugiem em paraísos fiscais. Esta proposta seguirá para a cimeira G20, no próximo mês na Itália. 
  • A questão da China foi um dos pontos mais contenciosos em discussão: todos os líderes concordaram em trabalhar juntos para desafiar as práticas mais dissaborosas da potência, como o seus desrespeito aos direitos humanos e a praticas de mercado desleais. Esta oposição forte à potência asiática é especialmente liderada por Joe Biden, numa certa continuação da política anti China de Trump, quando aquele colocou enfase na urgência de se apresentar uma frente unida contra as políticas autoritárias daquele governo. 

Resumidamente, muitas promessas foram feitas, muitos compromissos declarados mas muito pouco no sentido de planos reais para alcançar os objetivos. 

Por exemplo as necessidades de vacinas para efetivamente imunizar o máximo de pessoas possível, ronda os 11 bilhões, o que faz da promessa do grupo uma literal gota no oceano.

Os desafios climáticos, pelo seu escopo e urgência, precisam de planos e não mais de promessas e compromissos: as diminuições graduais de emissões e financiamentos abstratos não serão suficientes para reverter a onda de mudanças bruscas no clima que serão consequência da atividade inconsequente dos homens. 

O foco da cimeira, embora sempre inerentemente político, nunca esteve tão pouco ligado a reais urgências mundiais e tão pouco à altura dos compromissos que o grupo colocou como sua finalidade. Mais importância pareceu ser dada ao conflito económico com a China, Rússia e aos choques de tarifas comerciais e aduaneira que advêm do Brexit.

Nas palavras de Max Lawson: “Nunca na história do G7 tivemos uma diferença tão grande entre as suas acções e as necessidades do mundo.”

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TRABALHO DE PRETO
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Joyce Pinto

Graduada em Administração, mestranda em Gestão. Analista de mercados, empreendedora e escritora. Amante de livros, internet culture e política.