Nitry
Fotografia: BANTUMEN

Nitry: “Mudjer Ka Ta Repa” é um movimento que põe o patriarcado no lugar

Em 2019, Nitry concedeu a sua primeira entrevista à BANTUMEN e, naquela altura, apresentámo-la como a dinamite da nova vaga do rap crioulo. Não nos enganámos (até porque já aqui demonstrámos várias vezes que temos faro para encontrar novas promessas da música urbana em português). A visão e modelo de trabalho que a artista imprime na gestão da sua carreira são o garante inegável do sucesso que está por vir e que Nitry já se visualiza alcançar. A prova está no seu novo single, “Flado Mudjer Ka Ta Repa”.

Recentemente mãe de primeira viagem, foi-lhe proferido repetidamente que seria hora de acalmar e que o seu estilo no rap deveria ser mais contido, afinal de contas, para o patriacardo, a maternidade é o auge do sucesso feminino. Num certo dia, enquanto amamentava o filho, a artista pensou nessa premissa insensata profundamente enraizada nas mentes mais conservadoras (ou que se revelam tradicionalistas excepcionalmente no que respeita ao que uma mulher deve ou não ser e fazer). Naquele exato momento, numa espécie de bug psíquico-temporal, começou a surgir-lhe inconscientemente a composição lírica da sua próxima música.

“Uma mulher não repa porque agora é mãe, porque não combina?”, questiona-nos retoricamente numa entrevista vídeo realizada durante uma curta passagem de Nitry por França.

“Mudjer Ka Ta Repa” é mais do que uma música, é um movimento de empoderamento feminino acompanhado por uma banda sonora que nos sacode o raciocínio. É uma música para ser ouvida e cantada na primeira pessoa por qualquer mulher que tem mão no seu destino, sem medo do julgamento alheio. O objetivo deste novo single é criar “impacto nas mulheres, nos homens e na sociedade”, sublinhou.

E se a prioridade é empoderar outras mulheres, Nitry não esquece a sua comunidade. “Isto já não é só um sonho meu. É um destino. É colocar todas as mulheres no topo e mostrar que a nossa comunidade africana tem a capacidade de atingir palcos e sítios a que as pessoas têm medo de ir porque existe uma certa segregação. Está na hora de mudar e nós temos de começar na nossa comunidade. Temos de começar a perceber que fazer a diferença é mais do que ser diferente. (…) É uma questão de mentalidade e posicionamento”, indaga Nitry.

A rapper está atualmente a trabalhar com uma nova equipa porque, “além de talento, dom, é preciso ter consistência”. E por isso, “em Portugal estou a trabalhar com a Billy Family, que está a tratar da distribuição da minha música, e na França estou a trabalhar com a Any Management. Estamos a tentar construir uma equipa que está disposta a tudo e que não tem medo de se posicionar em qualquer mercado. Estamos a trabalhar em estratégias para conseguir elevar a nossa comunidade, sem estar a mostrar ou a criar uma imagem falsa para agradar a todos. O objetivo é ser real”, afirma.

Clica no play abaixo para perceberes melhor a visão desta queen sobre o poder e foco que qualquer mulher pode atingir.

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Para a Lopes Yange: Sou M. De Mulher, de Moderna, de Malala (porque não?)...Sou M de Maria.