Estação Central dos Caminhos de Ferro de Moçambique | ©Justin K G Dumpleton
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Centros Culturais em Moçambique de paragem obrigatória

Pela primeira vez na história do século 21, os espaços culturais à volta do globo viram-se obrigados a fechar as portas à cultura e seu público, em resposta e cumprimento das medidas de prevenção contra a Covid-19. 

Lugares, na sua maioria, exclusivamente dedicados à cultura e que servem de plataforma de apoio aos criativos, através da organização de concertos, feiras literárias, encontros culturais, exposições, debates, mostras, entre outros eventos. O objetivo, independentemente da geografia ou setor cultural, é um único: manter a arte viva e acessível.

Sobre o cenário vivido em Moçambique, que não foge ao que aconteceu noutros países, o público teve de se habituar a uma nova forma de contacto e experiência cultural: a digital. Sem fotos, sem pedidos de autógrafos, sem poder ver de perto, sentir, tocar, cheirar ou até degustar.

Contudo, chegados a meio de 2021 com o declínio do número de contágios e com a massificação da vacinação, as portas começaram a reabrir. Contudo, foi sol de pouca dura. Com o aumento do número de casos ligados à nova variante, Delta, as casas viram-se na obrigação de voltar atrás e encerrar, mais uma vez, as atividades presenciais.

Acreditando que este seja apenas mais um passo para a tão ansiada retoma definitiva, convidamos-te a conhecer as casas que muito têm feito pela cultura em Moçambique, para que num futuro [muito] próximo possas conhecer ou revisitar e celebrar a arte em todas as suas vertentes e formas

Associação Kulungwana

A Kulungwana – Associação para o Desenvolvimento Cultural foi oficialmente constituída a 23 de maio 2006 e está localizada na Estação Central dos Caminhos de Ferro de Moçambique. É um espaço artístico que serve para a divulgação de trabalhos e atividades artísticas, como exposições individuais e coletivas de pintura, escultura, cerâmica e fotografia.

Fundação Fernando Leite Couto 

A Fundação Fernando Leite Couto é uma instituição cultural, inaugurada a 16 de abril de 2015 na Cidade de Maputo, que tem por lema “Fazer junto com os outros”, sendo a literatura um dos maiores enfoques numa busca por garantir a sua difusão e seguindo a promoção da arte moçambicana no geral.

O nome da instituição é uma homenagem ao escritor e poeta moçambicano Fernando Leite Couto e um dos objetivos centrais do espaço é a divulgação e valorização da obra do artista, mantendo assim vivo o seu legado. Fora ser um espaço cultural, a casa é também uma editora, responsável pela edição dos últimos livros do escritor Mia Couto, e tem apoiado novos escritores através de concursos que possam resultar na publicação de novas obras. 

Centro Cultural Franco-Moçambicano

É sobre as ruínas do antigo Hotel Clube, construído em 1896 e destacado no conjunto de edifícios classificados como património cultural e arquitectónico que o Centro Cultural Franco Moçambicano promove a arte moçambicana e da francofonia, desde 1995.  

O enfoque é a valorização da cultura moçambicana contemporânea e a difusão das culturas francófonas e da língua francesa em Moçambique. Através de exposições, espetáculos, mediateca, contando com um centro de línguas, bem como uma área de residência temporária para artistas.

No mesmo terreno em que está o Franco, encontra-se o Centro Cultural Alemão Moçambique (CCMA) que promove, desde 2017, artistas nacionais e alemães, bem como a língua alemã através de cursos. As suas atividades estão centradas nas áreas de cinema, música, teatro, poesia, artes visuais e literatura, através de saraus, exposições e sessões.  

16 Neto

É um dos espaços culturais mais novos da cidade de Maputo e serve-se dessa juventude para apresentar mensalmente ao público os artistas emergentes e que merecem destaque. É atualmente a casa que acolhe as edições do MOZ SLAM- Campeonato Moçambicano de Poesia Falada, que já vai na sua quinta edição.

Camões – Centro Cultural Português

Presente na cidade de Maputo e Beira, é a casa onde a língua portuguesa “ganha vida” e notabiliza-se pela realização de exposições, encontros literários e residências, com o objectivo de contribuir para um maior intercâmbio artístico e literário entre moçambicanos e portugueses, e sempre que possível, entre artistas da região da África Austral.

Do lado de Maputo, a casa foi inaugurada em 1996 e está no edifício da Embaixada de Portugal, dispondo de uma biblioteca e uma galeria para apresentação de projetos, debates, conversas e lançamento de livros. E na Beira está, desde 1998, no edifício do Consulado-Geral de Portugal.

Dentro da literatura, o prato forte da casa, o centro é parceiro do Prémio Literário INCM-Eugénio Lisboa e do Concurso Lusófono da Trofa – Prémio Matilde Rosa Araújo.

Centro Cultural Brasil-Moçambique

O espaço surge em 1989 como Centro de Estudos Brasileiros do Acordo Geral de Cooperação entre Brasil e Moçambique e, em 2008, foi rebatizado como Centro Cultural Brasil-Moçambique. O local foi concebido como um espaço cultural a serviço da divulgação e da promoção da cultura, não apenas do Brasil, mas também de Moçambique e dos demais países africanos, conferindo uma dimensão concreta ao projeto de integração cultural afrobrasileiro e interafricano.

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Johnson Pedro

Jornalista Cultural e criativo na área da comunicação, encontra no jornalismo a arma para a documentação da cultura.