Séketxe

Séketxe, os criadores do RAP Cia que hoje “dão sangue” ao drill

Séketxe é um nome que há algum tempo não passa despercebido em Angola. O grupo é um dos maiores impulsionadores do drill no país, com um estilo muito próprio e inigualável.

Há cerca de cinco anos, mais propriamente a 10 de junho de 2016, nascia na Kuxilândia (distrito urbano do Benfica, Luanda), um dos grupos da nova geração do drill angolano, que nos últimos meses tem conquistado o seu espaço e tornado-se no centro das atenções do movimento.

Na adolescência, Kokaína Preta, Djamba, Murtalha, Layfado, Rasgado e Banzelo juntaram-se para formar os Dope Skin, um famigerado coletivo que dedicava-se à delinquência, com violência, inclusive com recurso ao uso de armas brancas. Nos entretantos da má vida, cantavam Kuduro.

Hoje, com idades compreendidas entre os 20 e os 24 anos e com novo nome, o coletivo decidiu deixar a vida marginal e agarrar-se à arte, sempre com o Kuduro como base e criaram o RAP CIA. “O RAP feito por Cientes é uma fusão do kuduro com rap, que demonstra a essência das ruas de Luanda, com uma base de instrumentais de rap.”, explica Murtalha à BANTUMEN.

Assim, soltaram “Kubeli”, o single que serviu de trampolim para o grupo. O videoclipe da música foi disponibilizado em setembro de 2020, no canal de Wilson Kamosso, o responsável pelos tratamentos visuais do grupo, e já conta com mais de 243 mil visualizações.

Depois de verem os seus nomes na boca do povo, por conta do seu flow pioneiro, “já há mais crédito e respeito vindo dos cotas e jovens” que no princípio “nos viam apenas como mais alguns marginais do gueto. E hoje, o movimento também respeita mais as ruas e têm prestado mais atenção às nossas vivências. Assim como também prestam assistência nos sonhos de muitos jovens, independente do que estes querem ser”, conta Kokaína.

Além de “Kubeli”, no canal do grupo encontramos “Mãe”, “Os Cotas”, “Caixão de Luxo”, “Ruas”, e também “Nú Xtragó Nada”, a música mais popular do grupo com mais de 306 mil visualizações. A música chegou inclusive aos ouvidos de Inamotto e Hélder David, que fizeram um vídeo de análise no projeto 2contra1.

Quanto a projetos futuros, o grupo ainda não avança novidades, mas garante que “está a ser preparada uma boa “funjada” na cozinha da Chasing Dreams”, a sua produtora. “A qualquer momento podemos lançar uma cena nova”, com o mesmo objetivo “dar uma nova face ao movimento angolano”, concluiu Kokaína.

Para já, ficamos com “Mete Dica”, o mais recente single do grupo, que tem a produção de Smash Midas. A faixa espelha mais uma vez vivências nas ruas da cidade de Luanda. No tratamento visual, sob as lentes da Kamosso Visual de Wilson Kamosso, o grupo decidiu trazer à luz do dia-a-dia perspectivas dos trabalhadores do mercado informal angolano, candongueiros, entre outros, profissionais invisíveis que saem às ruas para conseguirem o pão de cada dia.

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TRABALHO DE PRETO
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Marito Varela

De Benguela para o mundo. Dos blogs, da música, das tecnologias e das ciências.