“Jajão”, a nova kizomba de Deusa do Paniko

“Jajão” não é uma simples música mas um desabafo sobre uma situação recorrente no seio familiar angolano, e não só, e que acaba de ganhar vida na voz de Deusa do Paniko. A música entrou para as plataformas de streaming nesta sexta-feira e o vídeo, também disponível online, foi realizado pela sua produtora, a Wave Estúdio.

Jajão é um termo da gíria angolana, usado para fazer referência a algo que esteve quase para acontecer ou a algo que parece ou é falso. Na música, a cantora narrou a história de uma mulher que ignorou os “conselhos dos cotas” para viver o amor com um homem que não tem possibilidades de apoiar no sustento da família e, mesmo assim, insiste em “cair na drena” e em outras aventuras que acabam por interromper e comprometer o progresso do seu lar.

Deusa disse à BANTUMEN que a música não carrega nada de particular a não ser a sua voz, dedicação, composição, letra e interpretação. A inspiração partiu das situações diárias que lhe vão chegando aos ouvidos, sobre homens que não cumprem os seus deveres enquanto uma das figuras centrais da família.

“Há homens que preferem dar fora do que dentro e infelizmente há muitos que ainda vivem de aparência. Como pode alguém fazer a mulher e os filhos sofrerem e ir “desbundar” com pessoas que nem sequer têm o seu sangue? Então é nesse quesito que eu me inspirei e sei que muitas mulheres vão identificar-se”, esclareceu.

Por um lado, a cantora quer atingir qualquer pessoa que goste e se identifique com a música com base na sua mensagem e, por outro, por ser popularmente conhecida como fazedora do estilo Kuduro, com este single solto, a cantora pretende passar a visão de que, além deste, outros estilos correm dentro de si.

“Não pretendo fazer um só género, então tenho que lançar cada vez mais músicas de outros géneros para que eu termine com a ambiguidade das pessoas”, disse Deusa.

O clipe da música tem as lentes da sua produtora, a Wave Estúdios, que é responsável pelos seus últimos trabalhos, tanto musicais como videográficos, como “Ta Doer” e “Num’Aborrece”.

Deusa declarou também que, mesmo em fase de pandemia, juntamente com a equipa, não encontrou grandes dificuldades de produção do clipe, que carrega uma simplicidade visual e uma forte e apelativa mensagem.

“Tínhamos que gravar tudo em locais humildes (…) e até loiça lavei [risos]. Foi fácil mesmo, só tivemos que ter alguma atenção e tomar todas as medidas possíveis [de prevenção contra o coronavirus]”, explicou.

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TRABALHO DE PRETO
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Bruno Dinis

Carrego a cultura kimbundu nas minhas veias. Angolanidade está presente a cada palavra proferida por mim. Sou apologista de que a conversa pode mudar o mundo pois a guerra surgiu também de uma. O conhecimento gera libertação e libertação gera paz mental, por tanto, não seja recluso da ignorância.