Unsa Kaxi, primeira exposição de Dário Paraíso, é um apelo à humanidade

Um fotógrafo não capta apenas momentos para mais tarde recordar. A verdade é que cada um interpreta uma fotografia como bem entender mas para o fotógrafo Dário Pequeno Paraíso, é mais que isso. É sobre contar uma história de forma visual, usa a fotografia como amplificador das diferenças sociais, económicas e culturais que vai descobrindo e conhecendo.

E é isto mesmo que a sua primeira exposição em nome próprio quer mostrar. Lê-se no comunicado da Lisbon Art Office que Unsa Kaxi  – sempre  por  casa, traduzido do linguié,  dialecto  da  ilha  do Príncipe – invoca o  sentimento de fotografar a “relacionalidade” próxima e íntima entre o ser humano e a  tradição no seu  estado puro e formato natural, sem adereços ou intervenção, motivado pelo mais simples estado de sentir. 

A exposição tem a curadoria de uma dupla artística, o pintor Diogo Muñoz e a historiadora de  arte Marta Lino, nesta exposição sente-se o pós-colonialismo presente pelas roças de São Tome e Príncipe, na ruralidade  da Guiné-Bissau e no quotidiano de Marrocos.

“Expor em meu nome é uma gratidão gigante. É uma força gigante, canalizar com cerca de 37 fotografias que eu tenho aqui e um vídeo – o espirito e a mente das pessoas para um sítio, não é? Por isso é uma força que eu nunca tinha sentido e é óptimo, é sensacional, é espetacular conseguir que as pessoas no final consigam aperceber-se de alguma coisa. Que sintam verdadeiramente que chegaram há algum lado, que perceberam qualquer coisa. A minha mensagem passou para eles”, explicou-nos Dário.

Dário, apesar dos feedbacks positivos quanto à sua obra e primeira exposição, ainda sente que há muito por retratar, por fazer e por mostrar. Há mais experiências para viver, mas que sobretudo é necessário que exista uma união e entre-ajuda entre as pessoas, entre a humanidade. Unsa Kaxi invoca um sentimento de fotografar pelo mais simples estado de se sentir em casa. Próximo dos cheiros, das cores, dos sabores, das tradições e, principalmente, próximo de outros seres humanos. E é isso mesmo que Dário quer que as pessoas sintam ao ver as histórias que conta através de cada clique da sua câmara.

A exposição tem lugar no Cais Gás, Armazém H, em Lisboa, desde o dia 15 até hoje, e 18 de julho. Entrada gratuita.

Abaixo podes ver a entrevista da BANTUMEN a Dário Pequeno Paraíso.

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Wilds Gomes

Sou um tipo fora do vulgar, tal e qual o meu nome. Vivo num caos organizado entre o Ethos, Pathos e Logos - coisas que aprendi no curso de Comunicação e Jornalismo. Do Calulu de São Tomé a Cachupa de Cabo-Verde, tenho as raízes lusófonas bem vincadas. Sou tudo e um pouco, e de tudo escrevo, afinal tudo é possível quando se escreve.