Nos dias que correm é fácil ser-se artista, mas difícil é apresentar trabalhos que signifiquem e representem algo. E cada vez mais têm surgido artistas, uns com trabalhos mais fora do comum e outros com trabalhos que expressam o que se vê, um rosto africano, um traço europeu ou apenas um olhar do/sobre o mundo. O programa Alter Ego, que se integra na iniciativa cultural Macau – Festival de Artes e Cultura, entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa fez esse trabalho, explora e expõe isso.
A exposição começou no dia 9 de julho e findará a 9 de setembro e apresenta trabalhos de vários artistas emergentes das novas gerações lusófonas. E a BANTUMEN falou com dois desses artistas, Herberto Smith e Abdel Tavares, ambos fotógrafos que estiveram presentes na abertura do Alter Ego.

“Foi a primeira vez que fui convidado para participar num projecto desses”

O convite foi feito pela Underdog, representada por Vhils e a Pauline Fosse. “Foi uma surpresa quando um dos curadores do projeto Alter Ego entrou em contacto comigo, realmente eu não estava a acreditar em tudo o que estava a ler no meu e-mail porque foi a primeira vez que fui convidado para participar num projeto desses”, afirma Abdel.

Macau fica a 10,875 km de Portugal, mas a língua é a mesma, português. O receio dos trabalhos não serem bem recebidos ou interpretados fazia parte da viagem, a região de Macau é pequena com 612 mil habitantes em que existe uma percentagem interessada em artes.
ALTER EGO MACAU - Opening Ceremony- Credits_Kitmin Lee
ALTER EGO MACAU – Opening Ceremony- Credits_Kitmin Lee

“Ficamos muito bem instalados e a produção foi irrepreensível”

Herberto confessa que o português não foi muito falado, mais o inglês. “Fomos muito bem recebidos. Ficamos muito bem instalados e a produção foi irrepreensível. Não tive muito contacto com a comunidade local por isso não deu para perceber de que forma ainda se fala português”, conclui Smith.
Pela análise feita pelos dois fotógrafos que captam o olhar africano e os traços que os compõem, o povo macaense recebeu bem os seus trabalhos. O ponto mais importante da exposição foi conseguirem captar a atenção do público quanto às diferenças e as semelhanças mostradas em cada foto.
Para além da exposição, Abdel tinha o objetivo de fazer algumas sessões fotográficas com modelos asiáticos para juntar ao seu portefólio. “Tenho pena por não ter encontrado nenhum modelo asiático, mas isso é algo que eu vou trabalhar a partir de agora, não só fotografar brancos ou negros mas sim fotografar pessoas asiáticas e por aí”, remata Abdel Tavares.
ALTER EGO MACAU - Abdel Keita Tavares
ALTER EGO MACAU – Abdel Keita Tavares
Outro grande objetivo do Alter Ego é celebrar África. Mostrar a qualidade dos trabalhos que têm sido feitos pelos novos artistas da diáspora. As fontes de inspiração são imensas, e cada um “bebe” de fontes diferentes o que acaba por culminar em trabalhos peculiares e muito singulares com a mesma mensagem e assinatura de sempre, África.

Na exposição podem-se encontrar obras de alguns artistas africanos que falam português com um reconhecimento além fronteiras. Cujas obras têm uma forte ligação com o tema das exposição.

De alguma forma, o Alter Ego pode ser considerado como uma rampa de lançamento que poderá abrir mais portas aos artistas das novas gerações. Como também permite a interligação com outros artistas, uma troca de conhecimentos e um convívio saudável, onde o tema vagueia entre arte, fotografia e sociedade.

“Antes o meu trabalho era bom, a partir de agora quero que seja perfeito”

Herberto Smith diz que: essa exposição “também serviu para acreditar que o que tenho feito tem alguma relevância pelo menos para algumas pessoas que eu admiro.” Já Abdel diz que: “Antes o meu trabalho era bom, a partir de agora quero que seja perfeito.”

Quem faz parte dessa exposição não saí de lá sem algo para comentar ou com uma emoção por expressar. O Alter Ego em si representa muita coisa, deixa o artista com o sentimento de dever cumprido, com vontade de continuar e que o contributo deles é importante na forma como se compreende o mundo e como as pessoas se relacionam, e muitas vezes só é possível ver isso a partir de uma lente de uma câmera
fotográfica.