Beyoncé e Jay-Z… são a porra toda. Pardon my french, mas o casal mais agitador do showbizz largou uma bomba na indústria musical, saiu de fininho e deve estar a rir à gargalhada à nossa custa. Vamos explicar porquê, mais à frente.

“APESHIT” (APES**T) é o primeiro single do álbum Everithing Is Love, acabado de lançar, e foi co-escrito e co-produzido por Pharrell Williams. O vídeo brilhante foi dirigido por Ricky Suiz e transborda de simbolismo e imagens majestosas de uma realeza, cuja ascensão não tem cume.

LOUVRE

O vídeo de “APES**T” foi gravado no Museu do Louvre, na noite de 31 de maio a 1 de junho. É preciso dizer que privatizar o museu francês não é definitivamente para qualquer um. Uma das primeiras imagens do vídeo mostra-nos o casal impávido e sereno, do alto da sua realeza, em frente do quadro A Gioconda, mais conhecido como Monalisa, de Leonardo Da Vinci. Lembremo-nos que o Louvre é o antigo palácio dos reis de França. 

CASAMENTO

Foto: Raven B. Varona

Se há tempos, o casal foi notícia por ver a sua relação abalada por traições, de Jay-Z, “APES**T” dá-nos uma visão completamente diferente. Mais sólido que pedra, assim vai o casamento entre os dois gigantes da indústria musical mundial. “I can´t believe we made it”… diz Beyoncé ao longo da música (que pode ter várias interpretações, mas como gostamos de apimentar as coisas, vamos assumir que é também por causa das turbulências amorosas, que agora fazem parte do passado). A sua soberania dita-nos que eles são poder, eles são cultura.

AFROCENTRISMO

Foto: Raven B. Varona

Se JAY-Z sempre explorou os problemas que assombram a comunidade afro-americana, Beyoncé deu os primeiros passos nesse campo com Lemonade, onde em “Formation” vemos e ouvimos uma Queen B ativista, afro-feminista e cada vez mais política(mente incorreta).

Notem o foco nas personagens negras nas pinturas do Louvre e o homem negro com asas de anjo, que simbolicamente nos dizem que a Arte é também negra. A mensagem visual e lírica de “APES**T” é que Beyoncé e JAY-Z conseguiram-no! Eles são “donos” do Louvre que tem sido e ainda é um espaço centrado na História branca, completamente enraizada no colonialismo. Levar dançarinos negros, com um aspeto nu, é gritar: a arte de descendência africana também é História. Estamos cá!

A estética da realeza irriga os seis minutos do vídeo que apreende e despe a cultura negra que adquire uma dimensão afirmativa, de dignidade, e de fonte de produção nobre.

POLÍTICA

Foto: Raven B. Varona

Jay-Z diz “Eu disse não ao Super Bowl, vocês precisam de mim, eu não preciso de vocês”. Beyoncé reforça: “Eu não consigo acreditar que conseguimos”, e Quavo sublinha: “Este é um anglo diferente”. Precisamos dizer muito mais sobre este sujeito? É sim: o nome da música recorda-nos as constantes referências pejorativas entre negros e macacos, mas que hoje ganham um sentido oposto, que se traduz em sucesso.

“APES**T”, que sem censura significa Ape Shit, (coisas de macacos, na sua tradução literal) não é apenas uma celebração brilhante do sucesso de Beyoncé e Jay-Z. É uma ode à contribuição africana à indústria cultural mundial, dentro das suas várias categorias, da música à arte em geral. E é sobretudo, uma expressão de gratidão aos seus antecessores, que tantas vezes são esquecidos.

RAP

Foto: Raven B. Varona

Beyoncé canta, dança, compõe e também é… rapper. No single, a artista cospe barras como quem cospe fogo. Haters vão ser sempre haters, mas nem eles conseguem ficar indiferentes aos skills da senhora Carter.

Escrevo aqui e ali. Gosto de estórias que marcam histórias. Sou de Portugal, com veia cabo-verdiana, dois pés em Angola e coração em França. Africanidade, estilos de vida e música são os temas que me prendem a atenção, mas gosto de me distrair com politiquices e bizarrices.