Aos 13 anos, a cabo-verdiana Lauryn Teixeira está nomeada para o “Nobel da Paz das crianças”

16 de Outubro de 2026
13 anos cabo-verdiana Lauryn Teixeira nomeada International Children’s Peace Prize 2026 Nobel da Paz das crianças

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Lauryn Rose Cabral Teixeira tem 13 anos e está nomeada para um prémio que já foi entregue a Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que se tornou símbolo da luta pelo direito das raparigas à educação, e a Greta Thunberg, a ativista sueca que levou milhões de jovens às ruas pelo clima. A jovem escritora nasceu no Reino Unido, é filha de mãe cabo-verdiana e pai são-tomense e está nomeada para o International Children’s Peace Prize 2026, o Prémio Internacional da Paz das Crianças. A distinção é atribuída todos os anos pela fundação KidsRights, sediada em Amesterdão, e é conhecida como o “Nobel da Paz das crianças” por ser entregue anualmente por alguém que recebeu o Nobel da Paz.


Criado em 2005, em Roma, durante a Cimeira Mundial dos Laureados com o Nobel da Paz, o prémio distingue crianças e jovens entre os 12 e os 18 anos que se destacam na defesa dos direitos das crianças. Malala recebeu-o em 2013, um ano antes do Nobel da Paz. Greta Thunberg foi distinguida em 2019, ano em que partilhou o prémio com a camaronesa Divina Maloum. A vencedora da edição anterior foi a síria Bana Alabed.


Nesta 22.ª edição, os nomeados foram escolhidos entre centenas de candidaturas de todo o mundo. Lauryn é um dos cerca de 30 nomes que a fundação destaca entre os 250 nomeados. O vencedor é escolhido por um comité independente de especialistas em direitos da criança, presidido pelo fundador da KidsRights, Marc Dullaert, e do qual faz parte a jornalista e ativista iemenita Tawakkol Karman, Nobel da Paz em 2011.


A nomeação foi submetida pela mãe, Cristina Cabral, que descreveu à Lusa um processo “exigente e rigoroso”, com direito a entrevista por videochamada. A relação de Lauryn com a escrita começou cedo e nasceu de uma ausência nas estantes. Aos nove anos, ainda na escola primária, em Acton, no oeste de Londres, publicou Lauryn That’s Me. “Não há livros a falar dos meus dois países, Cabo Verde e São Tomé”, explicou à revista Ealing Living. O livro fala de identidade africana, autoestima e diversidade cultural e está publicado em quatro línguas: inglês, português, espanhol e francês. A própria KidsRights destaca na sua página a forma como Lauryn usa a sua história para ajudar outras crianças a sentirem-se vistas e seguras.


A ACRIDES, Associação Crianças Desfavorecidas, com qual Lauryn colabora, apoiou a candidatura com uma carta de recomendação. “Através da sua história inspiradora como jovem autora multilingue, ela encorajou as crianças a acreditarem no seu próprio potencial”, escreve a associação. No arquipélago, a jovem visita escolas e organizações comunitárias, doa livros infantis e dinamiza workshops educativos e criativos com crianças em situação de vulnerabilidade, incluindo vítimas de violência. As doações de livros e as ações de incentivo à leitura estendem-se também a Angola, ao Senegal, ao Gana, à Jamaica e ao México.


Em junho de 2025, Lauryn foi distinguida nos Global Child Prodigy Awards como uma das 100 crianças prodígio mais destacadas do mundo, numa cerimónia na Câmara dos Comuns, em Londres, distinção sobre a qual a BANTUMEN escreveu na altura. Em setembro do mesmo ano, foi uma das quatro finalistas nacionais da categoria Young Hero dos BBC Make a Difference Awards e recebeu uma menção honrosa. É ainda embaixadora do World Afro Day, a campanha criada em 2017 por Michelle De Leon para valorizar o cabelo afro e combater a discriminação racial. Nesse papel, ajudou a organizar e participou na aula online de consciencialização cultural que valeu à iniciativa um título do Guinness World Records, em setembro de 2025, com 1.382 participantes. Este ano, esteve nas comemorações do décimo aniversário do World Afro Day, em Londres.


Em agosto, Lauryn foi selecionada para o Prodigy Camp, em Seattle, nos Estados Unidos, um programa que junta jovens talentos de várias partes do mundo e onde foi a única participante de origem africana, sublinha a mãe. A viagem foi possível graças a uma bolsa parcial e a uma campanha de angariação de fundos lançada pela família para cobrir o resto dos custos. Durante o programa, falou sobre a necessidade de mais crianças negras representadas na literatura, nas indústrias criativas e no empreendedorismo social.


O nome de quem vai suceder a Bana Alabed é revelado a 19 de novembro, numa cerimónia que a KidsRights vai transmitir online.

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