30 anos de RTP África celebrados pela diáspora africana em Portugal

19 de Julho de 2026
30 anos de RTP África celebrados diáspora africana Portugal

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Durante dois dias, 17 e 18 de julho, Moscavide transformou-se num ponto de encontro da lusofonia africana para assinalar os 30 anos da RTP África. Sob o nome Festeja, o evento reuniu artistas consagrados, novas vozes da música africana e centenas de pessoas que fizeram da celebração uma homenagem à televisão e à rádio que, ao longo de três décadas, acompanharam diferentes gerações dentro e fora do continente.


No segundo e último dia do festival, marcado por uma forte adesão do público, a música voltou a ser o principal elo entre países, gerações e histórias de vida. Em palco passaram nomes como Tabanka Djaz, Anderson Mário e Justino Delgado, entre outros artistas oriundos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e de diferentes geografias africanas, refletindo a diversidade cultural que caracteriza a RTP África desde a sua criação.


O Festeja foi um espaço de encontro da diáspora africana em Portugal. Famílias, grupos de amigos e pessoas de diferentes nacionalidades ocuparam o recinto ao longo da tarde e da noite, num ambiente onde a música serviu de ponto de partida para celebrar identidades comuns e memórias partilhadas.


A celebração dos 30 anos da RTP África despertou também recordações em muitos dos presentes, sobretudo entre aqueles que acompanharam o crescimento do canal e da rádio desde os primeiros anos. Para várias pessoas da comunidade africana residente em Portugal, a RTP África continua a representar uma ligação permanente aos países de origem, à língua, à música e à atualidade dos PALOP.


Foi precisamente essa dimensão afetiva que marcou os testemunhos recolhidos pela BANTUMEN junto de alguns participantes. Para muitos, a RTP África foi, durante décadas, uma companhia diária e uma janela aberta para África, numa altura em que o acesso à informação dos países africanos de língua portuguesa era mais limitado.


Entre as respostas, repetia-se uma ideia comum: a RTP África ajudou a diminuir distâncias. Através da rádio e da televisão, muitos acompanharam notícias, ouviram artistas dos seus países e mantiveram viva uma ligação cultural que resistiu ao tempo e à distância. Os 30 anos da estação foram, por isso, vistos como um marco que merece ser celebrado e preservado pelas novas gerações.


Mas o festival não viveu apenas da memória. A presença de artistas da nova geração reforçou a intenção de projetar o futuro da música africana, colocando lado a lado nomes históricos e novos protagonistas das cenas musicais lusófonas. Essa convivência entre diferentes gerações refletiu o próprio percurso da RTP África, que continua a acompanhar a evolução cultural dos países que representa.


Com uma produção de grande dimensão, o Festeja confirmou o papel da música como linguagem comum entre comunidades espalhadas por diferentes países. A celebração dos 30 anos da RTP África terminou ao som de concertos, mas também com a certeza de que o projeto continua a ocupar um lugar relevante na construção de pontes entre África e a sua diáspora.


Três décadas depois da sua criação, a RTP África mantém-se como um espaço de encontro, memória e representação cultural. Em Moscavide, durante dois dias, essa história ganhou palco, público e voz.

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