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A ABCD Africa, plataforma de media e educação dedicada a amplificar vozes de descendência africana, divulgou a quarta edição da lista 100 Most Impactful Voices, que distingue anualmente cem mulheres de todo o continente que usam a tecnologia, os media e a narrativa para moldar ideias e impulsionar mudanças concretas.
A edição de 2026 abrange representantes de 54 países africanos, distribuídas por doze áreas de foco que incluem liderança política, empreendedorismo, ativismo e cultura. As nomeadas foram selecionadas com base em critérios de criatividade, autenticidade, impacto e capacidade de envolvimento com as suas comunidades, a partir de nomeações recolhidas junto do público e de especialistas digitais.
Entre as distinguidas encontram-se seis mulheres com raízes em países de língua portuguesa, com destaque para a moçambicana Graça Machel, a guineense Karyna Gomes e a são-tomense Roselyn Silva, mas também as angolanas Carmen Mateia e Jaquelina Ngulo e a cabo-verdiana Leida Correia e Silva.
Graça Machel é uma das figuras mais marcantes da história de África. Primeira Ministra da Educação e Cultura de Moçambique após a independência do país em 1975, liderou durante 14 anos uma transformação do sistema de ensino moçambicano. Em 1996, apresentou às Nações Unidas um relatório pioneiro sobre o impacto dos conflitos armados nas crianças, trabalho que redefiniu os padrões internacionais de proteção infantil. Fundadora do Graça Machel Trust, que apoia mulheres empreendedoras em África, e cofundadora do movimento The Elders, permanece uma das vozes mais respeitadas nos debates sobre paz, género e desenvolvimento. É a única pessoa na história a ter sido Primeira-Dama de dois países diferentes: Moçambique e África do Sul.
Da Guiné-Bissau, Karyna Gomes é cantora, jornalista e ativista, radicada em Portugal desde 2011. Filha de pai guineense e mãe cabo-verdiana, construiu uma carreira que junta a música tradicional da sua terra - com particular destaque para a tina, instrumento de percussão tocado exclusivamente por mulheres na Guiné-Bissau desde o século XVII — com o ativismo cívico. Em 2015, cofundou o movimento Miguilan, dedicado a promover a paz, a democracia e os direitos das mulheres no seu país. Os seus álbuns Mindjer e N’Na levaram a música guineense a festivais internacionais em Portugal, França e Alemanha, entre outros países.
Roselyn Silva, nascida em São Tomé e Príncipe e radicada em Portugal desde criança, é fundadora da primeira marca de moda de luxo luso-africana criada em Portugal. Formada pela Lisbon School of Design, criou em 2013 a sua primeira coleção, inspirada nas cores, padrões e têxteis tradicionais da sua terra natal, incluindo a capulana. A marca foi presença em semanas de moda em Portugal, Inglaterra, Macau e São Tomé, e as suas peças foram usadas por figuras como a fadista Mariza. Para além da criatividade, Silva é oradora e empreendedora, tendo construído uma voz relevante no ecossistema de moda e inovação da diáspora africana em Portugal.
De Cabo Verde, Leida Correia e Silva é engenheira mecânica e fundadora da startup fintech EasyPay CV, mais recentemente rebatizada como KORU, uma plataforma que permite aos utilizadores gerir a sua vida financeira digitalmente, integrando carteira digital, identidade e tecnologia blockchain. O projeto venceu o Demo Day da quarta edição da Bolsa Cabo Verde Digital e representou o país na final do 929 Challenge, em Macau. Embaixadora da Juventude para a Governança da Internet em Cabo Verde, é também uma das impulsionadoras do primeiro Youth Internet Governance Forum nacional.
Angola surge representada por dois nomes. Carmen Mateia, natural de Benguela, é ativista social, consultora de empregabilidade e fundadora da plataforma Na Fila do Pão - Primeira Fila, criada em 2023 e que hoje apoia jovens no acesso ao mercado de trabalho e ao empreendedorismo. Premiada mais de 15 vezes pela sua advocacia social juvenil, foi reconhecida pela revista Carreira como uma das dez profissionais mais influentes do LinkedIn em Angola em 2025 e tornou-se a primeira angolana e a primeira lusófona finalista do Africa Youth Changemaker of the Year, dos EMY Africa Awards. Jaquelina Ngulo é engenheira de sistemas elétricos, empreendedora, escritora e diretora do Women in Tech Angola, capítulo nacional da maior organização mundial dedicada a reduzir a desigualdade de género na tecnologia. Fundadora da VEUMA, empresa de desenvolvimento de marca pessoal e comunicação corporativa, representou Angola no Women in Tech Global Summit 2025, em Osaka. Em março de 2025, publicou Malongui da Minha Avó, obra que reúne provérbios transmitidos de geração em geração na sua família.
Fora do espaço lusófono, a lista distingue também personalidades de impacto global, entre as quais figuram Samia Suluhu Hassan, Presidente da Tanzânia e primeira mulher a chefiar um estado africano; Amina J Mohammed, Vice-Secretária-Geral das Nações Unidas; Phumzile Mlambo-Ngcuka, ex-diretora executiva da ONU Mulheres; Nnedi Okorafor, escritora nigeriana-americana e uma das vozes da ficção científica contemporânea; e Adut Akech, modelo internacional natural do Sudão do Sul, que utiliza a sua visibilidade para dar voz aos refugiados do seu país de origem.
A lista completa está disponível em 100voices.abcdafrica.co
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